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	<title>A Pulga &#187; Flávia Castelo</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>A cidade que se escuta</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2015 13:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flávia Castelo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>

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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/flavinha-pulga2.jpg"><img class="size-full wp-image-1612 aligncenter" alt="flavinha pulga2" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/flavinha-pulga2.jpg" width="390" height="538" /></a></p>
<p>Era agosto de um ano passado, meio dia. Eu estava entre uma aula e uma reunião, quando o cruzamento das ruas Júlia Siqueira e Nunes Valente me chamou a atenção. Mais de perto, consegui ler o que estava escrito no chão: “que seja eterno”. Meu coração pulou! Fui levada a ‘Frisson’, de ‘Suave Veneno’, e, como um amigo que mora no meu coração (e também entre os rios Reno e Savena) costuma dizer, ‘escrevi com a luz’ e, depois, ‘claro’, postei no Instagram.</p>
<p>Dentre tudo o que gosto de fotografar (eu não disse que sei, eu disse que gosto), não há nada como os diálogos urbanos. O que a cidade nos assegreda. Seja através de conselhos anônimos enquanto o sinal não abre, grafites inusitados, sinalizações mal (ou melhor) interpretadas, pixações irreverentes ou até mesmo anúncios (re)cortados. Amo mesmo o que a cidade fala em silêncio. Ou, alguém poderia dizer, “ela ama o que ‘escuta’”.</p>
<p>Enfim, a pé, de bicicleta, ônibus, trem ou carro, quando consigo, paro, pego meu telefone e ‘click’. Muita coisa passa sem o registro da lente, mas fica guardado. Exato, na mente. E ainda escrevo sobre cada uma delas.</p>
<p>No fim daquele dia, percebi que chegavam mensagens da mãe de uma amiga que estava morando onde se fala o castelhano mais puro da Espanha. Eram notificações do inbox do Facebook. Pensei ‘Oba! Notícias do velho mundo’. Mas, “Oi belíssima, em qual rua estava escrito no asfalto ‘que seja eterno’? Quem escreveu?”, foi o que li.</p>
<p>Sempre fiquei imaginando a história por trás do que as ruas falam. Gritos nos muros, declarações nos asfaltos. Eles não aparecem num passe de mágica. Por mais mágico que tudo pareça. “Acho que sei a história da foto&#8230;.vou checar&#8230;”, foi a última mensagem que recebi. E que me deixou na expectativa por uma semana. Afinal, pela primeira vez, eu saberia o começo, não ficaria só com o fim. E é tão emocionante ligar os pontos.</p>
<p>O que chegou na minha caixa de entrada depois da espera? Fotos de uma jovem, trechos de poesias e uma história, mais ou menos assim: Um médico da minha família, casado há 35 anos, se apaixonou perdidamente. Por quem? Por uma menina 42 anos mais nova do que ele. A paixão inspirou o homem e ele lançou um livro de poesias. Todas dedicadas a ela – que tinha idade para ser neta. Fui ao lançamento. A menina estava lá. Belíssima. E a mulher dele também. Mal humorada, naturalmente. Acho até que no dia seguinte, ainda mais, afinal, ele encheu o Facebook com fotos da pequena. Dentre as poesias, tinha uma que citava uma frase que ele escrevera na &#8216;calçada dela&#8217;: &#8216;que seja eterno&#8217;.</p>
<p>Connecting the dots! I love it! Como disse, sempre perdi (???) tempo pensando na história atrás da história. E agora que sei esta (e outras poucas), vou continuar com os registros e ligando os pontos, nem que seja com a minha imaginação. Afinal, no ‘jogo das cidades’, mais que em ‘jogos’ como este, ‘de papel’, a cada novo jogador, um novo ponto surpreende.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Viajar é apreender tudo que a alma pede</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2014 13:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flávia Castelo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Andarilho]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Antuérpia]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_448" style="width: 621px" class="wp-caption alignnone"><img class="size-full wp-image-448  " title="Vista do museu do rio que mostra a cidade portuária de Antuérpia - Flávia Castelo" alt="" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia21.jpg" width="611" height="608" /><p class="wp-caption-text">Vista do museu do rio que mostra a cidade portuária de Antuérpia &#8211; Flávia Castelo</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O verão estava chegando. Estendi a canga na grama (no inverno, ela virava echarpe), arrumei a mochila (como se fosse um travesseiro) e deitei de bruços – ritual que anunciava uma tarde de estudos numa espécie de parque-museu (Middelheim) da Antuérpia. Fiquei observando a coreografia em que as nuvens e os galhos das árvores competiam. Era uma dança em tons de azul, marrom e verde, com pinceladas brancas e cortes de raios dourados, que me hipnotizava muito mais pela intensidade das cores do que pelo próprio movimento. Eu me perguntava por que, apesar da distância dos meus, tudo era tão mais belo, leve e vivo. Fiquei realmente impressionada com as nuances da vida local e quase todos os dias, durante aquele ano em que morei na Bélgica, (me) fiz a mesma pergunta (ou alguma de suas variações): Por que as flores aqui são mais coloridas, têm mais vitalidade? Por que eu tenho vontade de comer cada ‘casinha’ que vejo? Até o branco da faixa de pedestre e o vermelho da ciclovia são encantadores (e convidativos). Todo mundo quer andar por eles! Pedestres e ciclistas. Nesta ordem e organizadamente. Por que, sempre que eu chego de viagem, levanto a cabeça para o alto, percebo todo o esplendor da Estação Central (um dos principais cartões postais da cidade dos diamantes, cervejas, waffles e chocolates) e, contraditoriamente, me surpreendo e me sinto em casa?</p>
<p>Morei no país sede das grandes organizações internacionais, entre 2012 e 2013, para responder a algumas questões de uma pesquisa acadêmica e voltei com mais dúvidas do que eu poderia imaginar. Simplesmente porque a viagem extrapolou a biotecnologia, meu tema de estudo. E considerando que é tendo dúvida que se aprende, penso que apreendi muito. Com dois ‘Es”, mesmo. Apreendi a (con)viver comigo, sozinha. E aprendi a ser (minha) melhor companhia. Descobri que os rituais podem (e devem) ser feitos, especialmente, para mim, sem qualquer testemunha. Que eu posso comprar um bom vinho, preparar a banheira e revezar meus pensamentos com o observar das flores dançando na água morna espumante ou, tranquilamente, imaginar as combinações dos ingredientes (que passei a manhã escolhendo na feira) do jantar de logo mais. Jantar preparado por mim. E para mim. Só para mim.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Entendi, na prática, que a distância entre arrumar a própria casa e se sentir bem e segura na rua, a qualquer hora, é bem menor do que entre a das bocas de jovens apaixonados.</div></strong></h3>
<p>Não, não estou cultuando o egoísmo. Fico descabelada com essa moda besta de olhar para o próprio umbigo. Apenas tive contato comigo mesma durante mais tempo do que tinha tido até então. Percebi mais a cidade também. E as pessoas. Não como ainda sinto ‘perceberem’ por aqui. Lá não importava se você ganhava um salário mínimo ou cem mil por mês. Se a roupa foi herdada ou comprada em boutique. Se você era gordo ou magro. Preto, branco ou amarelo. Todos sentavam lado a lado, no transporte público, pontual e, mesmo com tudo falado e escrito em holandês, bem fácil de entender sua metodologia e percursos. Andavam pelas mesmas praças, sentavam nos mesmos bancos, pedalavam as mesmas bicicletas.</p>
<p>Entendi, na prática, que a distância entre arrumar a própria casa e se sentir bem e segura na rua, a qualquer hora, é bem menor do que entre a das bocas de jovens apaixonados. Até descobri (mais) um dos meus ‘eus’ &#8211; sou geminiana! A Flavilene. Ela é minha versão ‘dona de casa exemplar’: ela, digo eu, colocava uma sainha azul, camiseta branca e batom vermelho no melhor estilo liberte, égalité, fraternité e com o inseparável amigo daqueles momentos &#8211; o aspirador de pó &#8211; ela ouvia do rock ao brega tão alto quanto a vizinhança permitia. E deixava tudo brilhando. Se eu fosse pagar para alguém fazer o serviço, seria mais caro do que a minha diária como bolsista de doutorado. E, certamente, não teria a mesma sensação de andar a noite, sem companhia do sexo oposto, pelas ruas fotografando tudo o que meus olhos (ou alma) pediam.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Não temos as estações do ano bem definidas que trazem com mais clareza as mudanças de cores e humores. Mas, podemos pintar um quadro (mais) bonito e, de preferência, bem (mais) louco.</div></strong></h3>
<p>Digo tudo isto (pelo saudosismo também) não porque acredito existir uma cidade melhor do que a minha. Também acho que não precisamos ir à India para nos encontrar. O contato consigo pode acontecer no banheiro de um bar. Digo para lembrar que a gente aprende tanto com as pessoas, apreende tanto com as cidades, desconstrói tantas certezas e multiplica tantas dúvidas, que podemos nos questionar o que estamos fazendo com Fortaleza e o que ela está fazendo conosco. Ela está nos ensinando a lição errada ou nós não estamos prestando atenção? Não temos as estações do ano bem definidas que trazem com mais clareza as mudanças de cores e humores. Mas, podemos pintar um quadro (mais) bonito e, de preferência, bem (mais) louco. Afinal, quem é que quer viver com a falta de esperança que a normalidade nos traz?</p>
<p>Vou já atualizar o passaporte e colocar o pé na estrada! Quando eu voltar, tudo estará exatamente como deixei. A única coisa diferente será eu mesma. Melhor, o meu olhar. Afinal, não existe uma metamorfose ambulante como a do viajante.</p>
<p>&nbsp;</p>

<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia13-2/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia13-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Vista de uma das janelas da minha sala, num dia de feira - sistematicamente a vizinhança se reunia com seus usados para vender ou trocar" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia14/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia14-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Groenplaats, mostrando uma das inúmeras fachadas dedicas as cervejas belgas" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia11/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia11-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Trecho de uma ruazinha secreta (porque não dá pra saber que é rua. a impressão é que é privada, já que é bem escondidinha e tem portões para entrar e sair) mas é uma ruazinha sim, de pedestres, onde estão alguns restaurantes e residências. Dois dos meus favoritos ficam lá e recebe o nome de um dos filhos da cidade: Sir Van Dyck" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia10/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia10-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Um dos campus da Universidade da Antuerpia" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia9/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia9-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Esta foto é na equivalente à av. Beira Mar de Fortaleza. É um muro que percorre toda a rua na qual tem uma poesia chamada universal. Estes prédios são  restaurantes e discotecas." /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia8/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia8-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="livinha e eu na nossa cozinha, sendo flagradas discutindo (ou fazendo biquinho???) pelo meu irmão caçula" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia6/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia6-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Grote market -  a praça onde fica a Câmara e esta fonte (com a estátua de Brabo, um soldado romano que matou o gigante do Rio Escalda que cobrava taxas para navegação. Brabo arremessou a mão do gigante no rio, o que deu origem ao nome da cidade de Antuérpia)." /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia5/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia5-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Centraal Station, um dos principais cartões postais da cidade" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia4/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Um dos pontos de bike. Na Meir, algo como a Monsenhor Tabosa de Fortaleza." /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia3/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Middellheim, o parque" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia2/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Vista do museu do rio que mostra a cidade portuária de Antuérpia" /></a>
<a href='https://apulga.com/apreender-tudo-que-a-alma-pede/antuerpia1/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/05/Antuerpia1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Por do sol, inverno, rio Scalda" /></a>

<h3></h3>
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