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	<title>A Pulga &#187; Iana Soares</title>
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		<title>Para ver sem o olhar</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 10:23:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Iana Soares]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_466" style="width: 760px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/06/Evenilson-Iana2.jpg"><img class="size-full wp-image-466 " title="Evenilson e  mistério da falta do olhar - Iana Soares" alt="" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/06/Evenilson-Iana2.jpg" width="750" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Evenilson e mistério da falta do olhar &#8211; Iana Soares</p></div>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se o olhar é uma chance de infinito, gosto de pensar que olhos fechados são o mistério antes do voo. Um mergulho solitário em si. É comum o encanto por um par de janelas escancaradas na fotografia. Observamos do lado de fora e acreditamos descobrir algo sobre as almas ali expostas no rosto. Achamos bonito e encaramos sem pudor aquele que nos devolve o olhar. No entanto, o retrato de quem nega a retina também inquieta e seduz. Não apenas pela anatomia das pálpebras fechadas, mas pela impossibilidade da certeza.</p>
<p>Na falta das chuvas, tive de conhecer Evenilson pelo silêncio. Tem gente que se deixa perceber sem mostrar-se. De todo tamanho e gesto, é gente que não explica, nem pensa em pontes. Ainda assim, diz. Um dizer desconhecido que rasga o sertão com sutilezas e lança qualquer raiz que faz elo com um tempo antigo, do dia em que ali talvez tenha existido um mar agora invisível. Diante da imagem, imagine.</p>
<p>Gosto de olhá-lo enquanto não me vê. Se nesse instante ele é mais dele mesmo que do mundo, gosto de observá-lo dessa forma. Sem moral da história, sem final, sem palavra bonita. O olhar que não enxergo, nem me olha, ajuda a respirar por alguns segundos. Não com fôlego, mas com um sorriso desses simples que a gente desenha no canto da boca, apesar dos cansaços. Tenho a chance de aprender a ver. Enxergar passa a não se definir só pela aptidão fisiólogica, mas também através do gesto e do corpo inteiro, sempre tão fragmentado. Para ver, não basta ter olhos.</p>
</div>
<div><span style="line-height: 1.5em;">Saiba mais sobre Evenilson e o sertão de Canindé </span><a style="line-height: 1.5em;" href="https://www.youtube.com/watch?v=l7UF8yUYhr8">aqui</a><span style="line-height: 1.5em;">.</span></div>
<p></p>]]></content:encoded>
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