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	<title>A Pulga &#187; Fitzgerald</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>A invencível armada</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2016 12:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tiago Miranda]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Fitzgerald]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meados do século XIV, a Espanha, juntamente com Portugal e navios italianos, dominou as águas do mediterrâneo. Tamanha era a capacidade da frota que ganhou a alcunha de “A <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-invencivel-armada/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Derrota-Espanhola.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1307" alt="“A Derrota da Armada Espanhola”, de Philipp Jakob Loutherbourg, 1796. Museu Nacional Marítimo, Londres, Inglaterra." src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Derrota-Espanhola.jpg" width="700" height="545" /></a></p>
<p>Em meados do século XIV, a Espanha, juntamente com Portugal e navios italianos, dominou as águas do mediterrâneo. Tamanha era a capacidade da frota que ganhou a alcunha de “A invencível armada”. Com o pretexto de retirar a Inglaterra da mão dos infiéis anglicanos, Felipe II, católico fervoroso, preparou o ataque final não apenas para derrotar os protestantes, mas também para controlar todas as rotas comerciais da Europa, uma vez que os navios de Elizabeth I eram, juntamente com os Batavos, seus maiores concorrentes. Reza a lenda que Elizabeth, então jovem rainha, comandou um pequeno exército até a costa Sul do reino para fazer frente a qualquer tentativa de invasão por terra, as batalhas se sucederam e, ainda segundo conta o relato, uma tempestade fortíssima caiu sobre o Canal da Mancha, arremessando os grandes navios espanhóis uns contra os outros, dando, assim, início à derrota da histórica armada. Elizabeth volta ao centro do reino ungida como protegida divina e grande estrategista. A história, por sua vez, é menos fantasiosa.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Elizabeth comandou um pequeno exército até a costa Sul do reino para fazer frente a qualquer tentativa de invasão por terra. Batalhas se sucederam e uma tempestade caiu sobre o Canal da Mancha, arremessando os grandes navios espanhóis uns contra os outros.</div></strong></h3>
<p>Os ingleses tinham praticamente o mesmo número de navios, um exército de mais de 15 mil homens (os espanhóis eram quase 30 mil), contudo, tinham barcos mais leves e que conseguiam atacar a distância. Os galeões portugueses, mais pesados pelo maior poder de fogo, precisavam de proximidade para atacar. Além disso, os comandantes da rainha conheciam os mares perfeitamente e sabiam muito bem como navegá-los: começaram com ataques a distância e notaram que os navios espanhóis se aproximaram demais uns dos outros; veio a tempestade e tudo ficou mais fácil, resultando na vitória inglesa e no fim do sonho ibérico de dominação comercial.</p>
<p>A presidenta Dilma Rousseff tornou pública, no dia 15 de março, a indicação de Lula como ministro da Casa Civil. Mas, nem tudo foi calmaria nesses mares. Uma série de ações judiciais impediram até meados de abril que o ex-presidente assumisse o Ministério da Casa Civil. Porém, mesmo sem um cargo no governo, o “efeito Lula”, que vem correndo o país numa caravana contra o impeachment, tem surtido efeito. Em uma pesquisa divulgada domingo (11/04) pelo Datafolha Lula aparece junto com Marina como candidatos preferenciais na disputa presidencial de 2018. Além disso, o número de apoiadores do impeachment de Dilma caiu. Em um mês de reviravoltas, às vésperas de se começar processo de impeachment, esses dados são indicativos de que houve um reforço entre os navegantes ingleses, numa metáfora histórica.</p>
<p>Dilma, tal qual Elizabeth na lenda, espera que seu comandante mais hábil salve o governo dela. Por mais que não se goste do novo ministro, são inegáveis seu capital político e sua capacidade de negociar. Qualquer pessoa que já tenha visto um discurso ao vivo do ex-presidente sabe muito bem do que digo. Lula é a última barreira, a última resistência do governo atual, e aposta todo seu capital político e 85% de aprovação (2010) na defesa do projeto do Partido dos Trabalhadores. Contudo, a barreira está enfraquecida: as acusações de relações íntimas com construtoras, o depoimento e, claro, um clima de instabilidade fomentado por grupos da oposição e do próprio partido ameaçam o caminho. A suposta reforma ministerial trazendo de volta Henrique Meireles, Celso Amorim e Ciro Gomes é a tentativa de Lula em formar a sua invencível armada. Meireles seria o responsável por acalmar o mercado; Amorim, por comandar as rotas comerciais (Lula fala da necessidade de vender o Brasil e questiona o porquê da falta de interesse de Dilma em seu depoimento) ;e Ciro Gomes, o bastião do ideal da “Pátria Educadora”.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Dilma emula a fé elizabetiana em uma repentina mudança de curso ao mesmo tempo em que conta com sua invencível armada para poder chegar ao final de mandato. A oposição fará o papel de tempestade e forçará a todo custo o naufrágio da armada. O resultado só o tempo dirá.</div></strong></h3>
<p>Em um discurso confuso, Dilma emula a fé elizabetiana em uma repentina mudança de curso ao mesmo tempo em que conta com sua invencível armada para poder chegar ao final de mandato. A oposição fará o papel de tempestade e forçará a todo custo o naufrágio da armada. Oficialmente não se sabe se Lula conseguirá conduzir o governo como ministro – papel que outrora coube a Dirceu e Palloci –, mas correndo por fora ela já mostra que tem artilharia pesada. O resultado final só o tempo dirá. A história, bem como a política, é contada pelos vencedores – se preciso for, através de lendas, mas sem nunca perder o componente real. Aguardemos os próximos dias com os olhares voltados para o impeachment: ou a tormenta fulmina a Armada ou teremos o início de um novo período ainda mais turbulento. Quinhentos anos depois e um oceano ao sul, os mares de interesses políticos e comerciais seguem agitados. Dilma, como Elizabeth, tomou decisões frente ao caos. Cabe agora ver se a Presidenta terá a mesma sorte e a mesma frota.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre os mineros mineiros</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2015 20:36:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tiago Miranda]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Fitzgerald]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[“Vamos sair daqui antes que eles tranquem tudo”, diz um ator do filme “33” como um dos responsáveis por avisar a comunidade sobre o acidente na mina chilena de San <a class="read-more" href="https://apulga.com/sobre-os-mineros-mineiros/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/Tiago-133.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1173" alt="Tiago 133" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/Tiago-133.jpg" width="750" height="575" /></a></p>
<p>“Vamos sair daqui antes que eles tranquem tudo”, diz um ator do filme “33” como um dos responsáveis por avisar a comunidade sobre o acidente na mina chilena de San Jose, onde permaneceram por 70 dias 33 mineradores chilenos (<i>mineros</i>, em castelhano) dentro da montanha após um desmoronamento na área de extração de ouro. O filme relata os dias de confinamento dos mineiros e as disputas entre o governo chileno, a indústria responsável pela mina e os familiares. É impossível não traçar um paralelo entre o ocorrido no país andino e a atual situação em Minas Gerais. A falta de condições de trabalho, a exploração da comunidade que “vive” ao redor da mina e, principalmente, as tratativas da empresa em se desvencilhar de qualquer culpa sobre o ocorrido.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> Quando iniciei meus estudos, ainda trafegavam pelo centro histórico da cidade caminhões carregados de minério de ferro. Nos 300 últimos anos, a extração de pedras preciosas e minerais foi e ainda é a base da economia local.</div></strong></h3>
<p>Tive a sorte de ter feito minha graduação em Ouro Preto. Entre 2000 e 2004, cursei Turismo na primeira turma da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e pude, ao longo desse período, conhecer não só a região, mas a história e um pouco das relações entre aquelas comunidades e a mineração. Quando iniciei meus estudos, ainda trafegavam pelo centro histórico da cidade caminhões carregados de minério de ferro e ônibus intermunicipais e privados transportando passageiros e funcionários das mineradoras da região. Nos 300 últimos anos, a extração de pedras preciosas e minerais foi e ainda é a base da economia local e seu principal gerador de empregos. Contudo, alguns centros urbanos ainda conseguem achar alternativas para essa equação de dependência – não é o caso de povoados como Bento Rodrigues, Camargos e tantos outros da região que encontram na mineração um modo de sobrevivência e, ao mesmo tempo, seu fim.</p>
<p>Segundo relatos, o rompimento das represas ocorreu por volta das 14h, e a população só foi avisada quase duas horas depois, por funcionários que, tal como os personagens do filme, saíram da empresa e foram informar a comunidade. Não havia sirene, nem plano de contenção de desastres, nem rotas de fuga – em resumo: nenhuma preocupação com a segurança dos funcionários ou da comunidade. Logo após os acidentes, o presidente da empresa veio a público lamentar o ocorrido e avisar que a lama que vazou da barragem não era tóxica. Não precisa ser nenhum gênio químico ou engenheiro de minas para saber que essa informação é falsa. O uso extensivo de metais pesados na mineração é uma de suas características básicas. Dias depois, com o avanço dos dejetos, as imagens de animais mortos pela onda de lama começam a surgir por todo o caminho traçado por ela. Divulga-se uma nota que informa que um terremoto teria sido o causador do rompimento. Em dois dias, o observatório sísmico da Universidade de Brasília desmente. Com um pouco mais de investigação, descobre-se que algumas das licenças estavam vencidas. O governo corre para dizer que o processo de renovação está atrasado devido às greves no funcionalismo. A proprietária da Samarco Mineradora corre para dizer que não é bem dona da empresa – “só” acionista majoritária. Tal como na película, não há “culpados”; foi um “acidente”. E em vez de buscar sobreviventes e informar a população sobre o que ocorre, governo e empresa (cada vez mais unidos em interesses e ações) isolam a área e proíbem o acesso de moradores e imprensa à zona do ocorrido, esperando a “poeira baixar” e garantindo que a ação é para a própria segurança dos locais.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Os danos ao meio ambiente e às pessoas são imensos e tornam-se ainda mais gritantes pela perspectiva de não terem a punição devida e nem servirem marco para evitar situações futuras como essa.</div></strong></h3>
<p>O “acidente” acabou com mais de 300 anos de história de um lugarejo esquecido da região mineradora. Tenho certeza que ele só chamou atenção devido à proximidade da capital e das cidades históricas e à divulgação quase que em tempo real, através das redes sociais, dos ocorridos. Tratar como um infortúnio o extermínio de uma cidade e das vidas de centenas de famílias é só mais um dos abusos que recebemos todos os dias seja pela mão das empresas, seja pelas mãos do governo. A onda de lama, literalmente, cimentou alguns pontos do leito do Rio Doce e levou todas as cidades que estavam próximo a ela a decretar estado de calamidade pública, devido à impossibilidade de tratar a contaminação das águas pelos resíduos de ferro e mercúrio (lembrem-se: não tóxicos). A demora para o diretor da Agência Nacional de Águas, da ministra do Meio Ambiente e mesmo da presidenta Dilma Roussef em ir à região só agravou a sensação (ou seria realidade?) de descaso ao crime ambiental ocorrido. Até agora, a lama do Rio Doce já atingiu o litoral do Espírito Santo e foram contabilizadas oito toneladas de peixes mortos. Os danos ao meio ambiente e às pessoas são imensos e tornam-se ainda mais gritantes pela perspectiva de não terem a punição devida e nem servirem marco para evitar situações futuras como essa.</p>
<p>O prefeito de Mariana diz que o fechamento da Samarco seria a morte da economia da região, ignorando os corpos que estão soterrados pela lama e a dor dos atingidos por ela. Talvez a solução seja a mesma do filme: parentes acampando em frente à mina e esperando uma resposta. Infelizmente, o final não será feliz. Não sairão com vida da lama nenhum das dezenas de corpos soterrados – nem mesmo a história centenária de Bento Rodrigues.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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