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	<title>A Pulga &#187; Vida Simples</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>Chorar sobre o tapete</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Apr 2017 23:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Chaves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[Ioga]]></category>

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		<description><![CDATA[“Agir de acordo com nosso divino propósito na vida é nosso dharma” (Do documentário My Dharma) Hoje chorei sobre meu tapetinho. Já havia visto alunos meus terminarem uma prática e <a class="read-more" href="https://apulga.com/chorar-sobre-o-tapete/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2017/04/ioga3.jpg"><img class="size-full wp-image-1658 aligncenter" alt="ioga3" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2017/04/ioga3.jpg" width="450" height="562" /></a></p>
<p align="right">“Agir de acordo com nosso divino propósito na vida é nosso dharma”<br />
(Do documentário My Dharma)</p>
<p>Hoje chorei sobre meu tapetinho. Já havia visto alunos meus terminarem uma prática e se emocionarem ao dizer o quanto estavam gratos por estarem ali, já tive aluno que sorria sem perceber enquanto estava em relaxamento profundo, já vi aluno se chatear por não conseguir realizar uma postura e já vi outros ficarem extremamente felizes ao conseguirem. Eu mesma experimentei muitas destas e outras sensações no meu tapete e sempre fiz uma autoanálise muito atenta para saber se minhas reações àquilo que me agradava ou me desagradava estavam refletindo também minhas reações fora do meu <i>mat</i>. Mas esta foi a primeira vez que realmente chorei.</p>
<p>Não sei se foi o fato de estar praticando sozinha, em casa, que me permitiu extravasar minhas emoções desta maneira. Quem me conhece um pouquinho sabe bem que não economizo nas lágrimas, mas assim, durante a prática nunca havia “precisado”. Até porque sempre entendi esse momento como sendo desafiador, mas muito prazeroso o que, a princípio, não justificaria a vontade incontrolável de chorar.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Uma coisa muito importante se revela  quando nos entregamos a algo que amamos fazer: este algo mexe com nossas estruturas emocionais de forma profunda. E aqui a palavra “entrega” não é gratuita</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Acontece que uma coisa muito importante se revela  quando nos entregamos a algo que amamos fazer: este algo mexe com nossas estruturas emocionais de forma profunda. E aqui a palavra “entrega” não é gratuita; é ela, a entrega, que faz toda a diferença naquilo que aos poucos nos chega como resultado. E em se tratando do Ashtanga , mais do que uma mudança no corpo que se pode observar pelo fortalecimento muscular, flexibilidade etc, as mudanças em planos sutis acontecem permitindo mais concentração, foco, atenção e presença em atividades cotidianas que muitas vezes nem sequer nos dávamos conta. Mas essa prática vai além e ajuda a dissolver velhos padrões emocionais e de pensamento o que acaba nos levando a um estado mental mais pacífico. O caminho é longo e requer dedicação.</p>
<p>As posturas (ásanas) são veículos, são instrumentos através dos quais o corpo se purifica das toxinas acumuladas, provenientes de alimentos ou de qualquer emoção que não tenha sido bem digerida,  promovendo, como consequência,  um estado de bem-estar. Nas aulas e em muitos workshops dos quais participei muito se fala em como cada postura nos beneficia de forma particular, seja melhorando a digestão, seja melhorando a circulação sanguínea, entre outros tantos benefícios,  mas hoje entendi os efeitos de posturas como Urdhva Danurasana (a postura da ponte) e dos backdrops quando se fala que eles “abrem o peito”.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Falo como quem pratica yoga, mas entendo que tais desbloqueios acontecem em outras instâncias e são disparados por diferentes gatilhos. O corpo é o lugar onde as dores emocionais se manifestam como dores físicas ou como travas para irmos adiante.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>O que aconteceu comigo, acredito, foi um desbloqueio emocional intenso. Não chorei de tristeza nem sequer de alegria. Chorei porque sim, porque algo muito profundo em mim havia sido libertado. E falo daqui, deste lugar, de quem pratica yoga, mas entendo que tais desbloqueios acontecem em outras instâncias e são disparados por diferentes gatilhos. O corpo é o lugar onde as dores emocionais se manifestam como dores físicas ou como travas para irmos adiante, seja para uma nova postura (no caso do Ashtanga), seja para viver um relacionamento, mudar de emprego, ou simplesmente para conseguirmos expressar o que precisamos dizer.</p>
<p>Depois de alguns instantes, parei, me sentei, fechei os olhos e a única coisa que chegou à minha mente foi um mantra que diz “lokah samastah sukhino bhavantu”, que pode ser traduzido, aproximadamente, como “que todos os serem sejam livres, prósperos e felizes”.  Foi o que senti; é o que desejo. Namaste!</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Mais vale cumprir o próprio dharma</title>
		<link>https://apulga.com/mais-vale-cumprir-o-proprio-dharma/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2017 22:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Chaves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[ “Mais vale cumprir o próprio dharma, ainda que de forma imperfeita, do que cumprir de maneira perfeita o dever de outrem.&#8221; Bhagavad Gita (III:35) &#160; Minha viagem certeira em direção ao que <a class="read-more" href="https://apulga.com/mais-vale-cumprir-o-proprio-dharma/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="right">
<p align="right"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2017/02/Dharma.png"><img class="size-full wp-image-1625 aligncenter" alt="Dharma" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2017/02/Dharma.png" width="592" height="588" /></a></p>
<p align="right"> “Mais vale cumprir o próprio <i>dharma</i>, ainda que de forma imperfeita, do que cumprir de maneira perfeita o dever de outrem.&#8221;</p>
<p align="right"><i>Bhagavad Gita</i> (III:35)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Minha viagem certeira em direção ao que sempre busquei aconteceu em novembro de 2014; uma viagem para a Índia quando finalmente me dei conta de que queria que o yoga fosse um pouco mais que minha prática (física) diária. Ali, mentalizei que queria ser um instrumento daquele modo de viver, mesmo ainda não sabendo de que maneira (ou será que eu já sabia?).</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">O que sempre falou mais alto era viver de forma mais simples e não aspirar estar em camadas sociais consideradas superiores. Isso me levou às seguintes perguntas: o que é realização? O que é sucesso?</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Mas a preparação para essa viagem começou muito antes. Esta questão profissional sempre foi algo que me inquietou. Sou Publicitária, mas muitas vezes achei que os valores, aparentemente tão comerciais da Publicidade eram incompatíveis com aquilo que eu acreditava ser um bom caminho: a colaboração, a preservação, a reutilização, a busca mais espiritual que material. Sem condenar, sem fazer juízo de valor, o que sempre falou mais alto dentro de mim era viver de forma mais simples (não simplória!) e não aspirar estar em camadas sociais consideradas superiores. Esse pensamento do que é superior, de pensar ser superior, me levou às seguintes perguntas: o que é realização? O que é sucesso?</p>
<p>Conversei com amigos, li artigos, entrevistas, blogs, para tentar entender as minhas próprias angústias, e compreendi que essas eram perguntas com respostas muito pessoais e que, enquanto muitos se encantam com a vida na cidade, com o trabalho em grandes corporações, outros estão voltando para o campo, para uma busca de uma vida mais tranquila e harmônica. Embora pareça clichê, percebi que não há certo nem errado; há o que te preenche e te faz brilhar os olhos.</p>
<p>Depois que voltei de um ano sabático (que tirei justamente por já me questionar sobre que caminho seguir), havia me determinado a dar aulas de inglês e de yoga, mas meus medos e, por trás deles meu ego, falaram mais alto. Achei que precisava daquela certeza no final do mês; achei que ainda precisava mostrar (para quem, hein?) que estava inserida no mercado. Muitas coisas passaram pela minha cabeça como: o que vão pensar de mim? O que fazer com todos os anos de estudo e dedicação à minha profissão?</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Decidi seguir minha intuição. Ela está dizendo o tempo todo qual é o caminho, mas muitas vezes não conseguimos escutar porque o barulho interno e os estímulos externos são muitos. É preciso silenciar para ouvir.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Voltei a trabalhar em agência e posso dizer que foi a melhor coisa que me aconteceu: conheci novas pessoas e reencontrei velhos conhecidos, alguns deles com o pensamento parecido com o meu, mas que conseguem equalizar com as demandas da atividade que exercem, o que me ensinou muitas coisas. Por outro lado, ter voltado me fez enxergar que aquilo tudo não fazia mais sentido pra mim, ver as pessoas discutindo, às vezes brigando, culpando uns aos outros (para satisfazer ao que mesmo?) era algo para o que não conseguia ver justificativa. E mais perguntas começaram a gritar dentro de mim e te convido a refletir sobre isso comigo: Qual o sentido do seu trabalho? Como ele modifica positivamente seu entorno e as pessoas que estão ao seu lado? Como ele te modifica? E indo além: o que você faria se não precisasse trabalhar por obrigação ou por dinheiro?</p>
<p>Me lembrei que havia pedido para o Universo (para Deus, ou providência, essa energia que ultrapassa meu entendimento) me levar para onde eu fosse desenvolver meu dharma e decidi seguir minha intuição. A intuição está dizendo o tempo todo qual é o caminho, mas muitas vezes não conseguimos escutar porque o barulho interno e os estímulos externos são muitos. É preciso silenciar para ouvir. Saí da agência sem ter trabalho certo, mas entendendo a minha decisão como escolha e não como fracasso. E essa decisão ganhou ainda mais força ao entender que meus filhos, especialmente o mais novo, um bebê de 1 ano, mereciam a presença de uma mãe feliz.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">As perguntas continuam; são inquietações que devem nos mover. Entretanto, uma delas, a meu ver, é a mais importante: estou feliz?</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Não estou dizendo que é fácil; ao contrário! É preciso coragem para mudar, mas é preciso compaixão para conosco para também lidar com o custo emocional que isso traz. Até porque, o primeiro impacto é financeiro e é óbvio que muitas coisas que gostamos envolvem dinheiro; precisamos do dinheiro para muitas coisas e aprender a lidar com ele também tem sido um exercício. Não é não querer, é não entendê-lo como motivador principal do meu trabalho. É conseguir exercitar o desapego sempre me questionando: do que eu realmente preciso?</p>
<p>Há quase dois meses voltei ao meu caminho com o coração cheio de gratidão. Dou aulas de yoga e estudo Ayurveda – sistema de cura tradicional indiano. Me dedico à prática de Ashtanga Yoga e busco auto conhecimento sem entender que isso me faz melhor que qualquer pessoa, mas entendendo que hoje sou um pouco melhor para mim. As perguntas continuam; acho que elas não devem cessar nunca, são inquietações que devem nos mover. Entretanto, uma delas, a meu ver, é a mais importante: estou feliz?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Vida simples ou simplória</title>
		<link>https://apulga.com/vida-simples-ou-simploria/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2016 16:19:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Chaves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Simples]]></category>
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		<description><![CDATA[Estava um dia desses assistindo a um vídeo em que Mário Sérgio Cortella (filósofo, escritor e educador) falava sobre a diferença entre uma vida simples e uma vida simplória. Obviamente <a class="read-more" href="https://apulga.com/vida-simples-ou-simploria/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/05/Vida-simples3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1408" alt="Vida simples3" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/05/Vida-simples3.jpg" width="750" height="642" /></a></p>
<p>Estava um dia desses assistindo a um vídeo em que Mário Sérgio Cortella (filósofo, escritor e educador) falava sobre a diferença entre uma vida simples e uma vida simplória. Obviamente que o tema me chamou a atenção, especialmente pela escolha que fiz de ter uma vida mais simples desde que voltei da Irlanda onde morei por um ano e meio.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Com a vida simples que escolhi levar com minha família, o salário diminuiu, muitos dos que diziam ser meus amigos se afastaram, mas por outro lado, tenho mais tempo para ficar com meus filhos, fazer experimentos culinários, ler um livro, meditar e estar com quem também fez a escolha de ficar na minha vida.</div></strong></h3>
<p>A vida simples que escolhi levar com minha família começou quando decidi deixar minha profissão de publicitária para dar aula de yoga e inglês. O salário diminuiu, muitos dos que diziam ser meus amigos se afastaram, mas por outro lado, tenho mais tempo para ficar com meus filhos, fazer experimentos culinários, ler um livro, meditar e estar com quem também fez a escolha de ficar na minha vida.</p>
<p>Entretanto, mais do que a diferença conceitual em si, o que me chamou a atenção foi quando ele citou uma frase, um dito popular antigo, que diz: “o mundo que deixaremos para nossos filhos depende muito dos filhos que deixaremos para o mundo”. Quem me conhece sabe o quanto foi difícil tomar a decisão de ser mãe novamente depois de 17 anos. Muito da minha resistência passava justamente pela preocupação em ter uma criança e tentar dar a ela uma boa educação, que passa pela educação formal, sem dúvida, mas não para por aí e vai muito além, ou melhor, começa muito antes da criança sequer ter pisado na escola. E é neste ponto que o tema vida simples/vida simplória ecoa.</p>
<p>Como Cortella diz, uma vida simples é aquela em que temos o suficiente para nós e também para repartir, ou seja, uma vida simples não é uma vida de carência, mas também passa muito longe de uma vida de desperdícios . Uma vida simples é aquela em que eu possuo as coisas, e não aquela em que as coisas me possuem, o que significaria estar escravizado por elas. E quando se trata dos filhos, o que tenho visto é exatamente isto: um consumo sem medida de necessidades inventadas.</p>
<p>Depois que engravidei passei a ver, a ler e a ouvir muitas coisas sobre crianças e algumas delas me causam se não um estranhamento, certamente alguma preocupação. Coisas como chá de revelação, recepção com decoração e salgadinhos na maternidade e todas as regras de como se deve ou não se deve criar um filho me soam tão artificiais que me parece que têm tirado nossa naturalidade e leveza. Sem falar das festinhas de aniversário que agora começaram mais cedo com direito a bolo, docinhos e decoração diferenciada a cada mês até que a criança complete 1 ano. E aí, quando esta data chega, não há dinheiro que vença o nível de criatividade (e, diga-se de passagem, de desperdício) a que se pode chegar. Li um artigo que fazia uma crítica exatamente a esse exagero das festinhas infantis em que há até contratação de limusines para comemorar o aniversário de meninas de 7-8 anos!</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Depois que engravidei passei a ver muitas coisas que me causaram estranhamento. Coisas como chá de revelação, recepção com decoração e salgadinhos na maternidade e todas as regras de como se deve ou não criar um filho me soam tão artificiais que têm tirado nossa naturalidade e leveza.</div></strong></h3>
<p>E antes que pareça, eu não sou contra o dinheiro e as coisas que ele pode comprar, até porque, se não há suficiência, não se pode sequer optar por ter uma vida simples no sentido de que estamos tratando. Também não tenho nada contra as festinhas que mencionei acima, já que a vida sempre merece ser celebrada. O que questiono é a motivação para certas ostentações (realmente preciso disto ou preciso mostrar isto?) e, em casos mais extremos, me pergunto como impor limite às crianças quando os próprios pais não o tem para essas pequenas coisas.</p>
<p>No mais, nessa minha vontade de ter uma vida simples, mas não simplória, fico pensando nos valores que quero ensinar aos meus filhos de modo a encontrar um equilíbrio entre o que há para consumir e o que há para fruir, entre o vídeo game e o banho de chuva, entre um show pirotécnico e um lual com os amigos, entre ser ambicioso e sonhar, entre o ter e o ser.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Índia: a estrada mística para a reconciliação</title>
		<link>https://apulga.com/india-a-estrada-mistica-para-a-reconcialiacao/</link>
		<comments>https://apulga.com/india-a-estrada-mistica-para-a-reconcialiacao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2014 21:05:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Chaves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Andarilho]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; “Tudo isto para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado a explicar ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava <a class="read-more" href="https://apulga.com/india-a-estrada-mistica-para-a-reconcialiacao/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_742" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/12/India12.jpg"><img class="size-full wp-image-742" alt="Garoto imitando o deus-macaco Hanuman, considerado a encarnação do Deus Shiva" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/12/India12.jpg" width="720" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Garoto imitando o deus-macaco Hanuman, considerado a encarnação do Deus Shiva</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="right">“Tudo isto para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado a explicar ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem. Porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos. (Ítalo Calvino, As cidades invisíveis)</p>
<p>Sempre gostei muito de viajar. Na verdade, essa é uma das coisas que mais gosto de fazer: conhecer novas paisagens, pessoas, diferentes culturas, experimentar novos sabores; aprender com as cidades, seus fluxos, sua gente e seu modo de viver. Sempre planejei com cuidado os lugares por onde gostaria de passar, pesquisando referências históricas, literárias ou mesmo alguma imagem vista em um filme. Dessa vez foi diferente. Não fui eu que escolhi o destino, a Índia me escolheu.</p>
<p>Tudo bem, eu tive um motivo; pela primeira vez desde a minha primeira aula de <em>ashtanga yoga</em>, em 2005, e depois de muitas idas e vindas, estava praticando diariamente (com exceção dos sábados) de acordo com o que é ensinado em Mysore, ou seja, estava dedicada como nunca antes. Mas isso não me qualificava, em hipótese alguma, a fazer minha primeira viagem para o reduto do <em>ashtanga</em>. Muito pelo contrário: me achava velha demais, com poucos avanços nas posturas e com pouquíssima bagagem filosófica sobre essa prática. Já havia decidido voltar para o Brasil, cuidar da minha casa e do futuro do meu filho (agora em idade de vestibular), após quase um ano e meio vivendo em Dublin. A decisão de ir antes para Mysore (terceira maior cidade do estado de Karnataka, Índia), veio de um <i>insight</i> em uma postura chamada “<em>savasana</em>” (pronuncia-se ‘shavasana’), a postura do cadáver; nada mais simbólico: era preciso deixar morrer aquilo que não mais me pertencia, deixar ir tantas coisas que ainda carregava como um peso, para renascer. Era como uma preparação para voltar para casa, pensei. E mal sabia de que casa se tratava àquela altura.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">A decisão de ir antes para Mysore veio de um <i>insight</i> em uma “<em>savasana</em>”, a postura do cadáver: era preciso deixar morrer aquilo que não mais me pertencia, tantas coisas que ainda carregava como um peso, para renascer.</div></strong></h3>
<p>A decisão foi tão impulsiva que comprei minhas passagens e pedi demissão do meu trabalho sem mesmo ter conseguido o visto. Acredito que o Universo sempre conspira a nosso favor quando temos que ir e toda essa parte burocrática foi resolvida sem nenhum contratempo. Coloquei minha mochila nas costas e fui, pela primeira vez, sem nenhuma expectativa, afinal de contas não fazia ideia do que poderia encontrar. E o que encontrei foi uma coleção de sinais que me diziam:  “você está não apenas no lugar certo, você está no caminho certo”.</p>
<p>Não posso falar de toda a Índia, até porque dizem que Mysore é quase uma exceção; posso falar apenas do que vi, e o que presenciei foi um lugar de uma beleza contraditória: uma cidade sem calçadas e com o trânsito mais caótico que já vi, onde trafegam <em>rickshaws</em>, carros, ônibus, bicicletas, vacas, cachorros, pessoas e motocicletas (muitas motocicletas!), mas para cujos moradores o tempo parece passar lento já que possuem uma calma que se contrapõe ao ir e vir frenético das ruas. Um lugar cheio de cores que vibravam nos templos, nos <em>sarees</em> (roupa típica feminina), nas frutas e nas flores. E não só as cores pareciam múltiplas ao meu olhar, mas tudo reverberava mais intenso nos outros sentidos. Ouvi o barulho incessante das buzinas, mas também o som dos pássaros, dos macacos e dos mantras entoados em diversas casas todos os dias antes do sol nascer. Por muitas vezes senti o cheiro do lixo nas ruas e da fumaça dos escapamentos, mas também o perfume de incenso e das flores que servem de oferenda para os deuses e de enfeite nos carros e nas portas das casas. Experimentei sabores exóticos e combinações de especiarias que eu jamais teria tentado sozinha sem saber que daria certo. E como dá certo!</p>
<p>Sim, vi muita pobreza e muita sujeira pelas ruas, mas também uma riqueza cultural e simbólica que está presente em quase tudo: na calçada onde se desenha mandalas assinalando que o local está limpo para que Deus possa entrar; no <em>bindi</em> (ponto usado entre as sobrancelhas) que pode sinalizar adoração ao intelecto ou ser usado como símbolo do casamento; no ato de tirar os sapatos para entrar tanto em casa como em alguns estabelecimentos comerciais; nos pequenos “altares” existentes dentro de cada residência&#8230;</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Na tentativa de entender o outro, precisei antes me concentrar em mim. E então percebi que meu maior desafio não seria viajar sozinha, mas viajar para dentro. Em uma atmosfera tão mística, a Índia me fez um convite de reconciliação comigo e eu aceitei.</div></strong></h3>
<p>Também foi possível perceber uma tradição que tenta se manter a despeito de toda a ocidentalização que vem sofrendo. Uma vez, em uma conversa com a dona da casa onde me hospedei, ela me disse que seu sobrinho (que mora com ela) irá casar no próximo ano e até me convidou para a festa, embora ele ainda não saiba. Perguntei: “se ele não sabe, como é que vai casar?”. Ela me disse que seus pais já estão à procura de uma esposa para ele. Assim que encontrarem farão o mapa astrológico dos dois; se os mapas se combinarem, aí então ele verá a foto da moça e, se gostar, é só marcar a data da cerimônia. Sim, isso ainda acontece por aqui! Eles me mostraram como comer com a mão (sem talheres), me falaram sobre deuses, sobre castas, e me ensinaram a cozinhar. Vi a dedicação deles em seus <em>poojas</em> (adoração, culto) aos seus mestres espirituais e aos seus mortos.</p>
<p>E diante de tanta informação, de tantas diferenças, era preciso me despir de algumas referências para que o novo encontrasse espaço. Foi assim que dei de cara comigo: na tentativa de entender o outro, precisei antes me concentrar em mim. E então percebi que meu maior desafio não seria viajar sozinha, mas viajar para dentro. Talvez por ter, a meu ver, uma atmosfera tão mística, a Índia me fez um convite de reconciliação comigo e eu aceitei.</p>
<p>Nessa viagem me deparei com um enorme sentimento de insegurança de não conseguir dar conta de um mês de prática, de não estar em nível avançado o suficiente, enfim. Obviamente que não foi a primeira vez, mas agora era diferente; resolvi que queria buscar as razões mais profundas desse sentimento em mim. Parei para pensar em todos os momentos em que me senti insegura e observei que a tentativa de acertar sempre com tamanho rigor não escondia apenas um medo de errar, mas de expor aos outros os erros cometidos. E quantas vezes não pautamos nossa existência naquilo que o outro vai pensar de nós? Acolhi minha insegurança e me aceitei com minhas qualidades e defeitos entendendo que isso não me faz melhor nem pior, mas certamente me faz mais humana.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Sinto um profundo amor por tudo o que vivi e por todas as transformações que podem, a partir de agora, me permitir uma vida com menos controle das circunstâncias e mais consciência de quem eu sou.</div></strong></h3>
<p>Me vi ainda atordoada com um medo de ser rejeitada ou, sei lá porque, de não conseguir me entrosar com as pessoas. Todos os meus fantasmas estavam apenas esperando uma oportunidade para me atormentar de uma só vez. Então me lembrei de tantas vezes que me forcei a ser quem eu não era apenas para ser aceita, para fazer parte de um grupo; e pior, com o qual eu não tinha nenhuma identificação. Abracei a menina carente que tantas vezes fui e disse a ela que ninguém precisa viver de migalhas. É de amor que se deve viver.</p>
<p>E como havia iniciado esse mergulho profundo visitei meus erros recentes e antigos sem, desta vez querer justificá-los ou entendê-los. Visitei-os para dizer a mim mesma: “em todos os momentos você tomou a melhor decisão que tinha condições de tomar”. E deixei que meus erros virassem cicatrizes que não doem mais. Também consegui perdoar algumas pessoas que, muitas vezes sem saber, me causaram muita dor. Enviei a cada uma delas muita energia de amor e de gratidão por terem, de alguma forma, me ensinado e ser mais forte. Também remeti, em pensamento, pedidos de perdão e espero sinceramente que sejam acolhidos.</p>
<p>O resumo de tudo isso é que hoje sinto uma imensa gratidão pela minha história; sem aquele orgulho que nos estufa o peito e nos faz pensar que somos melhores que os outros; sem a vergonha que nos diminui e nos humilha e sem também o drama que nos vitimiza. Sinto sim um profundo amor por tudo o que vivi e por todas as transformações que podem, a partir de agora, me permitir uma vida com menos controle das circunstâncias e mais consciência de quem eu sou. Espero estar preparada para voltar para o Brasil, porque para casa eu já voltei e ela sempre esteve dentro de mim.</p>
<p>PS: E aí você me pergunta: “Mas afinal de contas, você avançou na prática do yoga?”. Considerando que yoga não se limita aos ásanas (posturas) e que é uma prática que busca o auto-conhecimento, eu devolvo a pergunta: “O que você acha?”</p>

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<a href='https://apulga.com/india-a-estrada-mistica-para-a-reconcialiacao/india88/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/12/India88-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Poojas (adoração, culto) aos seus mestres espirituais e aos seus mortos" /></a>
<a href='https://apulga.com/india-a-estrada-mistica-para-a-reconcialiacao/india12/'><img width="150" height="150" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/12/India12-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Garoto imitando o deus-macaco Hanuman, considerado a encarnação do Deus Shiva" /></a>
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