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	<title>A Pulga &#187; Sem categoria</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>Marx sempre esteve certo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2020 20:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Naiana Rodrigues]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem diria que precisaríamos viver uma pandemia, uma crise sanitária de alcance global, para olhar para a sociedade com mais cuidado e perceber que “tá tudo errado”. Consumismo, individualismo e <a class="read-more" href="https://apulga.com/marx-sempre-esteve-certo/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2020/04/marx-popart.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1940" alt="marx-popart" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2020/04/marx-popart.jpg" width="700" height="454" /></a></p>
<p>Quem diria que precisaríamos viver uma pandemia, uma crise sanitária de alcance global, para olhar para a sociedade com mais cuidado e perceber que “tá tudo errado”. Consumismo, individualismo e desigualdade de renda caíram na conta da negatividade social, pois eram situações com as quais já convivíamos e que se tornaram praticamente insuportáveis e abomináveis para muitos quando a morte por Covid-19 se tornou uma ameaça real e imediata. Por outro lado, esse mesmo temor direcionou os olhares para dimensões e instituições sociais que vinham em um processo de desgaste, de perda de credibilidade há tempos.</p>
<p>A ciência, o jornalismo e o trabalho compõem o que considero a tríade dos humilhados que se revelou essencial para manter a vida hoje, entendida aqui nos sentidos biológico e cultural. Cada elemento desse trio está envolto em uma miríade de sentidos contraditórios que se amalgamam à vida cotidiana em tempos de pandemia e isolamento social. Em razão da celebração do primeiro de maio, é interessante apontar a lupa da conscientização para o trabalho, pivô de embates com os quais nos deparamos na cobertura midiática, nas chamadas de vídeo com amigos e parentes, no supermercado, na farmácia e na portaria do prédio na hora de pegar o alimento comprado via aplicativo.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Consumismo, individualismo e desigualdade caíram na conta da negatividade social, pois eram situações com as quais já convivíamos e que se tornaram insuportáveis quando a morte por Covid-19 se tornou uma ameaça.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>O trabalho está em todos os lugares, não foi à toa, portanto, que Karl Marx e seus leitores, como György Lukács, enunciaram que o trabalho é o que dá sentido à vida do homem em sociedade. Para o velho barbudo e para os materialistas de plantão é pelo trabalho que o homem se diferencia dos demais seres vivos, pois através do trabalho, o homem transforma a realidade e essa transformação tem como objetivo garantir as condições materiais de existência e sobrevivência do próprio homem. Em resumo, o trabalho está no cerne da nossa própria definição de humanidade.</p>
<p>Os marxistas sempre defenderam a centralidade social do trabalho, até porque o trabalho é o que dá forma às mercadorias e serviços, sendo a peça-chave para a operação do sistema capitalista. Porém, por mais que eles tenham gritado a plenos pulmões que o trabalho importa, e muito, para a sanidade social, isso não impediu que o menino labor fosse humilhado pelo próprio sistema que dele depende. A tecnologia, a informação e o conhecimento já se insurgiram reclamando para si o posto de catalisadores da centralidade social. E conseguiram, a despeito de o trabalho estar sempre lá, dizendo que, sem ele, não há tecnologia, não há informação e nem conhecimento.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Para o velho barbudo e para os materialistas de plantão é pelo trabalho que o homem se diferencia dos demais seres vivos, pois através do trabalho, o homem transforma a realidade e essa transformação tem como objetivo garantir as condições materiais de existência e sobrevivência do próprio homem.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Da arena de disputas epistemológicas para o campo político, o trabalho se tornou um objeto da batalha discursiva que vem sendo travada em plena pandemia. Para o presidente da república, a defesa do trabalho virou sua plataforma de flexibilização do isolamento social. Quando o presidente diz: as pessoas precisam trabalhar! Ele deixa subentendido que não quer se responsabilizar pela geração de renda para a população que deve ficar em casa. A classe-que-vive-do-trabalho no Brasil, como diria o sociólogo Ricardo Antunes, é heterogênea em sua composição, mas homogênea em sua constituição precarizada. Portanto, ficar em casa para muitos desses trabalhadores significa perder a renda parcial ou totalmente e para outros sentir os efeitos deletérios da precarização.</p>
<p>A classe média composta por professores, servidores públicos, jornalistas e uma diversidade de profissionais que podem ficar em casa, sentem, muitos pela primeira vez, os efeitos contraditórios do trabalho em home office, da educação a distância, das reuniões por chamadas de vídeo, da cobrança por produtividade. A tal da tecnologia que tanto nos ajuda nas interações cotidianas também pode ser carrasca quando se alia a objetivos profanos. É o que experimentam esses trabalhadores, para quem a renda pode até não faltar, mas para os quais sobra a intensificação do trabalho com o aumento das horas trabalhadas ou o aumento da quantidade de atividades realizadas durante a jornada de trabalho.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Para o presidente da república, a defesa do trabalho virou sua plataforma de flexibilização do isolamento social. Quando o presidente diz: as pessoas precisam trabalhar! Ele deixa subentendido que não quer se responsabilizar pela geração de renda para a população que deve ficar em casa.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Em outra frente, há ainda os trabalhadores de plataformas, os famosos entregadores dos aplicativos e motoristas de uber, que continuam ziguezagueando nas ruas e desviando do vírus para garantir o sustento diário. Esses sim conhecem bem a cartilha da precarização, pois se submetem às empresas de plataforma que tentam fazê-los acreditar que estão se liberando do fardo de ser assalariados para se tornarem “homens-empresas”, indivíduos que governam suas vidas como se estivessem gerindo uma empresa. Mas, em vez de autonomia e prosperidade, esses trabalhadores de plataformas encontram sofrimento, servidão e, agora, o risco de contágio por coronavírus. Recentemente, essa situação foi bem exposta pelo programa do humorista Gregório Duvivier, em uma narrativa com toques de ironia e “comunismo” que destaca a crueldade das plataformas.</p>
<p>Frente todas essas circunstâncias, pode não fazer sentido a celebração do primeiro de maio. Mas o que o simbolismo da data nos remete é que não podemos perder de vista a centralidade social do trabalho. Quando as camadas de irrelevância da vida cotidiana começam a cair, o trabalho sobra no terreno da essencialidade. Mesmo que seu sentido remeta hegemonicamente a sofrimento, precarização e crise, sem ele, não há capitalismo nem sociedade. E somente com ele será possível reerguer o mundo em bases menos danosas e mais justas. Nos pós-apocalipse da pandemia, o que nos resta é o trabalho.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Quando as camadas de irrelevância da vida cotidiana começam a cair, o trabalho sobra no terreno da essencialidade. Mesmo que seu sentido remeta hegemonicamente a sofrimento, precarização e crise, sem ele, não há capitalismo nem sociedade.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Os sobreviventes terão, portanto, a árdua tarefa de forjar novos sentidos para o trabalho, desatrelando-o do consumismo, do individualismo e do espírito do capitalismo. E fortalecendo o significado ontológico do trabalho. Na prática, isso implica na assunção de que por meio do trabalho o indivíduo se conecta com a sociedade e que ele não pode se identificar com a empresa, estas que não podem mais lucrar indistintamente sobre a exploração da força de trabalho, força de trabalho humano essa que precisa do retorno das garantias sociais, extintas com as reformas trabalhistas. Garantias que, por sua vez, só serão asseguradas com a organização coletiva dos trabalhadores. Assim, um novo projeto de sociedade, quiçá de humanidade, pode se desenhar tendo como horizonte valores coletivos e solidários &#8211; comunistas, dirão muitos.</p>
<p>Afinal, antes mesmo da pandemia, o capitalismo, por meio da exploração, da precarização e da flexibilização do trabalho já vinha nos matando aos poucos. A sobrevivência material e social da humanidade, portanto, depende sim do trabalho e de como vamos defendê-lo e requalificá-lo, sem as firulas discursivas do mundo corporativo, mas com a certeza de que a emancipação do trabalho é a emancipação da vida como um todo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>A esquerda que não teme a ciência</title>
		<link>https://apulga.com/a-esquerda-que-nao-teme-a-ciencia/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2016 03:43:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alan Santiago]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Casa da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor ao conhecimento deve ser maior do que o amor ao conforto No capítulo final de “The Last Word”, uma defesa da racionalidade como ferramenta inescapável ao entendimento da <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-esquerda-que-nao-teme-a-ciencia/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1494" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/06/erica-zoe-a-queda.jpg"><img class="size-full wp-image-1494" alt="Ilustração: Érica Zoe" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/06/erica-zoe-a-queda.jpg" width="650" height="603" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração: Érica Zoe</p></div>
<p style="text-align: right;"><i>O amor ao conhecimento deve ser maior do que o amor ao conforto</i></p>
<p>No capítulo final de “The Last Word”, uma defesa da racionalidade como ferramenta inescapável ao entendimento da vida, o filósofo norte-americano Thomas Nagel lança um questionamento no mínimo provocador: e se chegarmos à conclusão de que a evolução tem um propósito? Nagel esclarece o pensamento desta forma: “Se a ordem natural admite leis físicas fundamentais, universais e matematicamente belas como as que descobrimos, por que não poderia admitir leis e limites igualmente fundamentais (sobre os quais nada sabemos) que sejam consistentes com as leis da física e deixem claro o desenvolvimento de organismos conscientes – alguns deles tendo a capacidade de descobrir, por meio de um prolongado esforço coletivo, verdades fundamentais sobre aquela mesma ordem natural?”*</p>
<p>Essa ideia arrepia os cabelos de racionalistas e céticos, porque parece imbuída de uma perspectiva religiosa – ainda que o filósofo tenha tomado o cuidado de pô-la apenas em termos científicos. Algum tipo inescrutável de coerência na criação e em seu desenvolvimento é o que todas as religiões reclamam que seja a verdade desde o início dos tempos. Num mundo cuja ascensão conservadora e o obscurantismo religioso são uma realidade, tal descoberta enfraqueceria, de alguma forma, o papel da racionalidade e da ciência, concedendo a sacerdotes de todos os matizes uma proeminência, ou ao menos uma equivalência, em decisões até então confiadas aos laboratórios e ao método?</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">O medo do pensamento religioso e das proposições religiosas não deve fragilizar justamente o que pensa estar protegendo. A ciência não se beneficia quando recusa de antemão uma ideia por se apegar a uma visão de mundo cristalizada.</div></strong></h3>
<p>É verdade que, até que se realize, isso não deixará de ser uma possibilidade. Mas, nesse ínterim, o medo do pensamento religioso e das proposições religiosas não deve fragilizar justamente o que pensa estar protegendo. A ciência não se beneficia quando recusa de antemão uma ideia por se apegar a uma visão de mundo cristalizada. Isso, inclusive, é anticientífico. Aliás, nenhum ser que opere com a razão lucra ao negar o que não lhe é conhecido sem motivos suficientes para tanto. Como se percebe, não estou dizendo que devemos procurar as tábuas da arca de Noé. Mas, voltando ao terreno da realidade e não do mito literário, sempre acho um devaneio infantil o medo do “gene gay”.</p>
<p>Primeiro, é preciso pontuar que uma parte da crítica a esse tipo de pesquisa não é desprovida de mérito: nenhum geneticista procura o gene hetero do mesmo modo que nenhum médico investiga a saúde, porque ambos são considerados o grupo padrão; logo, a homossexualidade desafiaria a heteronormatividade assim como a doença afronta a saúde. Fica, então, claro o lugar e a posição subalterna ou elevada de cada sexualidade nesse jogo científico. Entretanto, é irracional o medo, propriamente de esquerda, de que a sexualidade seja genética em essência, e não construída socialmente.</p>
<p>Isso é compreensível, porque se trata de um medo análogo ao que a ciência tem da religião, ou seja, de que a concessão a uma ideia estrangeira potencialmente perigosa e conservadora debilite uma visão de mundo aberta e inclusiva. Por isso, novamente pergunta-se nas mesmas bases usadas antes: num mundo de wahabismo assassino e de neopentecostalismo charlatão, identificar um tal gene pode desencadear uma corrida eugenista do mesmo modo que se tenta extirpar a predisposição genética ao câncer? Bom, são os riscos que a verdade corre. Só a mentira é soberana e imutável porque facilmente adaptável às ocasiões; a verdade, ao contrário, é remédio amargo, sempre diferente, cuja única alternativa que nos resta é aprender a administrá-la. De qualquer forma, é sempre bom lembrar que os fascistas não precisam da ciência para vociferar ou praticar insanidades. Eles já fazem isso a despeito dela ou a distorcendo em seu favor.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">De qualquer forma, é sempre bom lembrar que os fascistas não precisam da ciência para vociferar ou praticar insanidades. Eles já fazem isso a despeito dela ou a distorcendo em seu favor.</div></strong></h3>
<p>Então, digamos que se tenha finalmente batido o martelo sobre este dado da natureza, que haja trechos de um par de genes responsáveis por definir a sexualidade de um sujeito. Todas as pessoas que acreditam numa sexualidade construída e não genética devem rever seus conceitos. Eu serei um deles. O amor ao conhecimento tem de ser maior do que o amor ao conforto. Conhecimento é, antes de tudo, desprendimento. Os anticopernicanos da época de Galileu também possuíam bons motivos, naquele contexto medieval, para desconfiar do modelo heliocêntrico. Todas as observações apontavam o contrário. Era o Sol que se movia enquanto a Terra permanecia substancialmente parada; os planetas sumiam e reapareciam no horizonte observável como se estivessem girando a nosso redor; um livro confiável e milenar, a Bíblia, referendava essa opinião. Hoje se considera louco aquele que continua afirmando a mesma coisa – as redes sociais estão cheias deles, infelizmente. Tal como o Sol ganhou o posto de centro de nosso sistema planetário, o “gene gay”, ou melhor, para ser mais correto, o gene que determina nossa sexualidade obrigará a uma recondução de muitas das pesquisas de gênero. Isso não seria ruim. Nem bom. Apesar de nós, a Terra continuará girando em torno do Sol.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* NAGEL, Thomas. <b>The Last Word</b>. Nova York: Oxford University Press, 1997. (pp. 131-132. Tradução minha).</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Vida simples ou simplória</title>
		<link>https://apulga.com/vida-simples-ou-simploria/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2016 16:19:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tatiana Chaves]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava um dia desses assistindo a um vídeo em que Mário Sérgio Cortella (filósofo, escritor e educador) falava sobre a diferença entre uma vida simples e uma vida simplória. Obviamente <a class="read-more" href="https://apulga.com/vida-simples-ou-simploria/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/05/Vida-simples3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1408" alt="Vida simples3" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/05/Vida-simples3.jpg" width="750" height="642" /></a></p>
<p>Estava um dia desses assistindo a um vídeo em que Mário Sérgio Cortella (filósofo, escritor e educador) falava sobre a diferença entre uma vida simples e uma vida simplória. Obviamente que o tema me chamou a atenção, especialmente pela escolha que fiz de ter uma vida mais simples desde que voltei da Irlanda onde morei por um ano e meio.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Com a vida simples que escolhi levar com minha família, o salário diminuiu, muitos dos que diziam ser meus amigos se afastaram, mas por outro lado, tenho mais tempo para ficar com meus filhos, fazer experimentos culinários, ler um livro, meditar e estar com quem também fez a escolha de ficar na minha vida.</div></strong></h3>
<p>A vida simples que escolhi levar com minha família começou quando decidi deixar minha profissão de publicitária para dar aula de yoga e inglês. O salário diminuiu, muitos dos que diziam ser meus amigos se afastaram, mas por outro lado, tenho mais tempo para ficar com meus filhos, fazer experimentos culinários, ler um livro, meditar e estar com quem também fez a escolha de ficar na minha vida.</p>
<p>Entretanto, mais do que a diferença conceitual em si, o que me chamou a atenção foi quando ele citou uma frase, um dito popular antigo, que diz: “o mundo que deixaremos para nossos filhos depende muito dos filhos que deixaremos para o mundo”. Quem me conhece sabe o quanto foi difícil tomar a decisão de ser mãe novamente depois de 17 anos. Muito da minha resistência passava justamente pela preocupação em ter uma criança e tentar dar a ela uma boa educação, que passa pela educação formal, sem dúvida, mas não para por aí e vai muito além, ou melhor, começa muito antes da criança sequer ter pisado na escola. E é neste ponto que o tema vida simples/vida simplória ecoa.</p>
<p>Como Cortella diz, uma vida simples é aquela em que temos o suficiente para nós e também para repartir, ou seja, uma vida simples não é uma vida de carência, mas também passa muito longe de uma vida de desperdícios . Uma vida simples é aquela em que eu possuo as coisas, e não aquela em que as coisas me possuem, o que significaria estar escravizado por elas. E quando se trata dos filhos, o que tenho visto é exatamente isto: um consumo sem medida de necessidades inventadas.</p>
<p>Depois que engravidei passei a ver, a ler e a ouvir muitas coisas sobre crianças e algumas delas me causam se não um estranhamento, certamente alguma preocupação. Coisas como chá de revelação, recepção com decoração e salgadinhos na maternidade e todas as regras de como se deve ou não se deve criar um filho me soam tão artificiais que me parece que têm tirado nossa naturalidade e leveza. Sem falar das festinhas de aniversário que agora começaram mais cedo com direito a bolo, docinhos e decoração diferenciada a cada mês até que a criança complete 1 ano. E aí, quando esta data chega, não há dinheiro que vença o nível de criatividade (e, diga-se de passagem, de desperdício) a que se pode chegar. Li um artigo que fazia uma crítica exatamente a esse exagero das festinhas infantis em que há até contratação de limusines para comemorar o aniversário de meninas de 7-8 anos!</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Depois que engravidei passei a ver muitas coisas que me causaram estranhamento. Coisas como chá de revelação, recepção com decoração e salgadinhos na maternidade e todas as regras de como se deve ou não criar um filho me soam tão artificiais que têm tirado nossa naturalidade e leveza.</div></strong></h3>
<p>E antes que pareça, eu não sou contra o dinheiro e as coisas que ele pode comprar, até porque, se não há suficiência, não se pode sequer optar por ter uma vida simples no sentido de que estamos tratando. Também não tenho nada contra as festinhas que mencionei acima, já que a vida sempre merece ser celebrada. O que questiono é a motivação para certas ostentações (realmente preciso disto ou preciso mostrar isto?) e, em casos mais extremos, me pergunto como impor limite às crianças quando os próprios pais não o tem para essas pequenas coisas.</p>
<p>No mais, nessa minha vontade de ter uma vida simples, mas não simplória, fico pensando nos valores que quero ensinar aos meus filhos de modo a encontrar um equilíbrio entre o que há para consumir e o que há para fruir, entre o vídeo game e o banho de chuva, entre um show pirotécnico e um lual com os amigos, entre ser ambicioso e sonhar, entre o ter e o ser.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Da arte de ser filho único</title>
		<link>https://apulga.com/da-arte-de-ser-filho-unico/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2016 08:51:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Grazielle Albuquerque]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Grilo Falante]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Ilustração: Mariane Marques &#160; Componho com outros dois amigos de adolescência uma espécie de tríade fraternal de filhos únicos, com toda a idiossincrasia que essa expressão possa conter. Somos uma <a class="read-more" href="https://apulga.com/da-arte-de-ser-filho-unico/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/02/Filho-único22.jpg"><img class="size-full wp-image-1994" alt="Ilustração: Mariane Marques" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/02/Filho-único22.jpg" width="432" height="755" /></a></p>
<dl class="wp-caption alignnone" id="attachment_1994" style="width: 442px;">
<dd class="wp-caption-dd">Ilustração: Mariane Marques</dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<p>Componho com outros dois amigos de adolescência uma espécie de tríade fraternal de filhos únicos, com toda a idiossincrasia que essa expressão possa conter. Somos uma médica, um militar e uma jornalista. Tão díspares como um peixe, um tigre e um pássaro. Seres de hábitats distintos, mas os três com absoluta consciência de seus papéis familiares. E há algo a mais nesse ethos singular que nos une: somos filhos que cedo se responsabilizaram por suas mães, arcaram com as despesas de casa e foram, ao seu modo, protagonistas de famílias pequenas. Aqueles que saíram pro mundo e proveram o lar. Dito isso, esclareço que falo desse tipo específico de filhos únicos, como numa espécie de um gênero mais vasto, para, a partir dessa “tipologia”, ilustrar algo quase intrínseco a esses seres: a ideia de que se é responsável por tudo.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Dito isso, esclareço que falo desse tipo específico de filhos únicos, para, a partir dessa “tipologia”, ilustrar algo quase intrínseco a esses seres: a ideia de que se é responsável por tudo.</div></strong></h3>
<p>Todo mundo, mesmo que não seja um apreciador de samba, já batucou instintivamente a conhecida estrofe que diz: “Não posso ficar nem mais um minuto com você / Sinto muito amor, mas não pode ser / Moro em Jaçanã. Se eu perder esse trem que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã”. Eis aí uma representação popular clássica dos que atendem ao comando prioritário da responsabilidade, mesmo que sem a ginga malandra, como convém à musica. Na prática, pertencer a essa espécie é ter hora para chegar em casa, é avisar quando não vem e quando vai atrasar. É ser um pouco pai e mãe às avessas, um elo que nos liga à ancestralidade, e não aos nossos iguais. Não há com quem dividir as tarefas além daqueles que originalmente nos deram esse papel. Estamos do lado de cá, somos os únicos filhos, fazemos um monólogo e, nos diálogos que restam, quase sempre concluímos a fala como na sentença de Adoniran Barbosa: “Tenho minha casa para olhar, eu não posso ficar”.</p>
<p>Algumas histórias muito duras demonstram isso que quero dizer. Tenho uma amiga cujos pais se separaram cedo. Ela foi morar com a mãe na casa da avó que ficava em outro estado. As acomodações supostamente temporárias não permitiram uma mudança completa. Parte das coisas ficaram na Bahia, estado onde ela nasceu. Isso foi há uns 25 anos e, desde então, fotos de família, objetos de decoração e uma série de souvenirs, aparentemente sem importância, mas que nos ajudam a contar nossa história, ficaram encaixotados em algum lugar. Há mais de uma década essa espécie de espólio de miudezas foi colocada num depósito em alguma cidade da Região Metropolitana de Salvador. Ficou por isso. Há três anos ela teve seu primeiro filho e as indagações corriqueiras sobre com quem a criança se parece acabaram remetendo às fotos infantis dos pais. Ela tinha, então, apenas uma foto de si mesma quando bebê, que, por algum motivo, havia carregado consigo aos 13 anos quando saiu de Salvador. Eis alguém que devia, mesmo tão jovem, cuidar da própria memória. Nada lhe foi imposto, dito ou escrito. Este é o ponto. Era um cuidado que cabia a ela pelas contingências da vida.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">É fácil seguir o movimento da inércia e nos responsabilizarmos por tudo a nossa volta, sem atentar ao preço extorsivo dessa onipresença.</div></strong></h3>
<p>Outro amigo é, além de filho único, praticamente o sobrinho único de uma leva de uns sete tios. Temporão, restou a ele enterrar os tios mais velhos que foram partindo e ajudar a organizar a rotina dos que ficaram. Eu mesma também sou a responsável pelo meu espólio afetivo e já preparei o funeral de tantas pessoas próximas, entre vivos e mortos, que me tornei uma espécie de PhD no trato das partidas. Mas está aí uma grande cilada. Porque é fácil seguir o movimento da inércia e nos acostumarmos a ocupar todos os espaços, organizar todos os ritos, nos responsabilizarmos por tudo a nossa volta, sem atentar ao preço extorsivo dessa onipresença.</p>
<p>Na outra ponta está o aprendizado de quem pode dividir. Uma vez uma grande amiga, cuja família me adotou, me falou de uma brincadeira de infância em que ela e os irmãos ensaiavam números de mágica. Ela posicionava-se cuidadosamente embaixo de uma mesa que era coberta por uma longa toalha. Em seu posto, tinha como tarefa passar por um buraco feito no tampo do móvel – que dava no fundo da cartola – tudo que o irmão mágico pedia. Certa vez, o pano caiu e ela foi pega em flagrante. Zangou-se e nunca mais serviu de ajudante para o número. Num exemplo cru, ser filho único é não ter essa chance, visto que toda a brincadeira corre por sua conta.</p>
<p>O escritor inglês Geoff Dier escreveu para a revista Serrote um ensaio autobiográfico sobre sua condição de filho único. Lá pelas tantas, ele dá alguns exemplos da faceta triste desta condição, quando lembra que brincava de Banco Imobiliário sozinho, que jogava Detetive sozinho e que conseguia até mesmo a façanha de jogar Subbuteo sozinho: “Algo quase impossível, já que você precisa manejar os atacantes e controlar o goleiro do time adversário ao mesmo tempo”. A questão é que, na vida real, é, digamos, difícil atuar nessas duas posições simultaneamente.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Dentro daquele esquema posto, tornamo-nos adultos mais cedo e há uma parcela de vantagens nisso: compramos casa e carro, construímos uma carreira&#8230; Em suma: não somos intimidados pelos compromissos.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Porém, aqui vale um parêntese: engana-se quem pensa ser esse um papel de lamúria. Como tudo na vida, há dor e delícia. E, em relação à última, as possibilidades são imensas. Aprendemos desde cedo a ter as rédeas da vida nas mãos. Ser responsável implica certo poder. Estar fora de um padrão, sobretudo na geração dos anos 70 e 80, quando a média por família era de três irmãos, era se livrar de algumas comparações obrigatórias e ganhar a chance de criar uma trajetória mais particular. Assim, se nos passam a conta das obrigações, também ganhamos voz ativa na mesa dos negócios.</p>
<p>Com o tempo, aprendemos a manejar o jogo e podemos escolher a cor das paredes do quarto, o colégio em que queremos estudar e se preferimos ganhar um kit de pequeno cientista ou outro brinquedo no Natal. Exemplos infantis à parte, a questão é que aquele de quem muito é cobrado, sendo o único fornecedor de expectativas, sem ter concorrentes diretos e com certa esperteza, aprende a fazer valer sua vontade. Dentro daquele esquema posto, tornamo-nos adultos mais cedo e há uma parcela de vantagens nisso: compramos casa e carro, pagamos as contas, construímos uma carreira&#8230; Em suma: não somos intimidados pelos compromissos.</p>
<p>A grande questão é que dessa onipresença, entre ganhos e perdas, surgem complicações. Lidar com as escolhas alheias é a principal delas. Acontece que, se um jarro quebra, o filho único não pode “culpar” o irmão mais novo, ninguém lhe abre o caminho e ninguém o precederá. O vazio ao lado lhe dá uma coroa e um chicote. Não ter ninguém para dividir é se empoderar do muito e, infelizmente, isso quase sempre é desumano. Quando rompemos essa barreira que nos imputa a falha, é comum cairmos na prisão escura de achar que nunca fizemos o suficiente. A ideia é que tudo depende nós, e não há maior engano do que esse. Eis a armadilha da qual nós, ensimesmados filhos únicos, devemos nos desvencilhar. Na vida, embora nosso senso de responsabilidade e certo narcisismo nos digam o contrário, a brincadeira não ocorre só por nossa conta. Há sempre outra pessoa envolvida, uma ou mais, e não há condições físicas e emocionais possíveis de fazer a mágica e empurrar o coelho em um único gesto.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">É por isso que esse texto é antes de tudo uma reflexão sobre o outro, aquele à parte de nós, o qual devemos reconhecer e respeitar porque, fazendo isso, estamos, na verdade, respeitando nós mesmos</strong><strong>.</div></strong></h3>
<p>É por isso que esse texto é antes de tudo uma reflexão sobre o outro, aquele à parte de nós, o qual devemos reconhecer e respeitar porque, fazendo isso, estamos, na verdade, respeitando nós mesmos. A escolha do outro, em muitos casos, não é de nossa alçada. No fundo, o que nos cabe é, sim, como reagir. Essa é a nossa parte. Por isso acho que tal “domínio artístico” consiste em aprender a dividir, mesmo que num limite imaginário que vamos exercitando vida afora como quem aprende com a alteridade a ser mais humano.</p>
<p>É um desafio fazer o que nos cabe e deixar o outro seguir – ou pelo menos se reconciliar com essa ideia –, ainda que esse outro seja nosso pai, nossa mãe, um grande amor ou um amigo da vida inteira. Esse contorno semelhante ao de gêmeos siameses é o invólucro que nos constitui primariamente e que devemos romper. Há nessa totalidade um lado sombrio e um lado luminoso. Aprende-se com esmero que a vida depende da gente e, sim, somos capazes de feitos extraordinários. Tomamos em nossas mãos uma potência gigantesca e, tal qual um fugitivo que cava um túnel por trinta anos, realizamos com paciência o impensável. Mas isso não é vida, é estratégia de guerra. Pode servir para as questões estruturais, mas não para as relações. A vida comporta o outro. Ou melhor, a vida é desafiada pelo outro. E isso é incômodo porque há sempre algo que, para o bem e para o mal, repito, não depende de nós.</p>
<p>Há anos tive uma conversa com uma amiga de faculdade cujo relato me parecia misterioso à época. Ela me dizia que, quando interrompeu um período de análise, ainda adolescente, a terapeuta falou: – Eu vou te dizer algo, mas provavelmente você vai esquecer. E a frase reveladora era: – Você só dá conta de si. Aquela história me passou batida na época em que a escutei pela primeira vez. Eu mesma, que não era a interlocutora direta, havia esquecido. Lembrava-me da cena, mas não da assertiva. Contudo, mais de uma década depois, está guardado como num estalo em minha mente nosso diálogo sobre o assunto num pôr do sol na Ponte Metálica, em Fortaleza. Depois daquele hiato de tempo, em que havia trocado nossas especulações juvenis pela concretude da vida adulta, algo parecia mágico naquela constatação: – Sim, só damos conta de nós.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Sabendo nosso limite, podemos ser inteiros e seguir adiante como quem ora quer ser mágico e ora quer ser ajudante. Afinal, o que o outro nos dá é a liberdade de escolher ser quem somos.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Parte da nossa memória trazemos conosco, revelada ou não numa fotografia; outra parte está mesmo perdida por aí com quem cruzou nossa estrada. Podemos tentar girar o mundo para controlar as coisas, como naquela cena em que o Super-Homem, no filme clássico de 1978, coloca a Terra numa rotação inversa para salvar Lois Lane. Mas, fora do mundo da ficção e dos heróis, é fato que todo o esforço que queira mudar algo além de nós só terá efeito se conectado à vontade do outro.</p>
<p>E, ainda que com muito custo, é libertador não ser responsável por tudo. Isso nos empodera de maneira diversa da qual estamos acostumados porque dá aos nossos pares a possibilidade de agir e nos aliviar os ombros. Mesmo quando isso não acontece, ao fazer o que nos cabe e conseguir enxergar esse limite que costumamos avançar, nos livramos da prisão que é tentar ocupar dois espaços ao mesmo tempo. Ao abarcar o mundo, nos perdemos de nós. Parece uma daquelas charadas do Mestres do Magos, mas é bem isso. Reconhecer o outro e suas escolhas é tornar-se pleno em nossa unidade. Sabendo nosso limite, podemos ser inteiros e seguir adiante como quem ora quer ser mágico e ora quer ser ajudante. Afinal, o que o outro nos dá é a liberdade de escolher ser quem somos.</p>
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