<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>A Pulga &#187; Cidade</title>
	<atom:link href="https://apulga.com/tag/cidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://apulga.com</link>
	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
	<lastBuildDate>Mon, 02 Oct 2023 09:05:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=3.8.41</generator>
	<item>
		<title>A cidade que se escuta</title>
		<link>https://apulga.com/a-cidade-que-se-escuta/</link>
		<comments>https://apulga.com/a-cidade-que-se-escuta/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2015 13:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Flávia Castelo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apulga.com/?p=1012</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Era agosto de um ano passado, meio dia. Eu estava entre uma aula e uma reunião, quando o cruzamento das ruas Júlia Siqueira e Nunes Valente me chamou a <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-cidade-que-se-escuta/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/flavinha-pulga2.jpg"><img class="size-full wp-image-1612 aligncenter" alt="flavinha pulga2" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/flavinha-pulga2.jpg" width="390" height="538" /></a></p>
<p>Era agosto de um ano passado, meio dia. Eu estava entre uma aula e uma reunião, quando o cruzamento das ruas Júlia Siqueira e Nunes Valente me chamou a atenção. Mais de perto, consegui ler o que estava escrito no chão: “que seja eterno”. Meu coração pulou! Fui levada a ‘Frisson’, de ‘Suave Veneno’, e, como um amigo que mora no meu coração (e também entre os rios Reno e Savena) costuma dizer, ‘escrevi com a luz’ e, depois, ‘claro’, postei no Instagram.</p>
<p>Dentre tudo o que gosto de fotografar (eu não disse que sei, eu disse que gosto), não há nada como os diálogos urbanos. O que a cidade nos assegreda. Seja através de conselhos anônimos enquanto o sinal não abre, grafites inusitados, sinalizações mal (ou melhor) interpretadas, pixações irreverentes ou até mesmo anúncios (re)cortados. Amo mesmo o que a cidade fala em silêncio. Ou, alguém poderia dizer, “ela ama o que ‘escuta’”.</p>
<p>Enfim, a pé, de bicicleta, ônibus, trem ou carro, quando consigo, paro, pego meu telefone e ‘click’. Muita coisa passa sem o registro da lente, mas fica guardado. Exato, na mente. E ainda escrevo sobre cada uma delas.</p>
<p>No fim daquele dia, percebi que chegavam mensagens da mãe de uma amiga que estava morando onde se fala o castelhano mais puro da Espanha. Eram notificações do inbox do Facebook. Pensei ‘Oba! Notícias do velho mundo’. Mas, “Oi belíssima, em qual rua estava escrito no asfalto ‘que seja eterno’? Quem escreveu?”, foi o que li.</p>
<p>Sempre fiquei imaginando a história por trás do que as ruas falam. Gritos nos muros, declarações nos asfaltos. Eles não aparecem num passe de mágica. Por mais mágico que tudo pareça. “Acho que sei a história da foto&#8230;.vou checar&#8230;”, foi a última mensagem que recebi. E que me deixou na expectativa por uma semana. Afinal, pela primeira vez, eu saberia o começo, não ficaria só com o fim. E é tão emocionante ligar os pontos.</p>
<p>O que chegou na minha caixa de entrada depois da espera? Fotos de uma jovem, trechos de poesias e uma história, mais ou menos assim: Um médico da minha família, casado há 35 anos, se apaixonou perdidamente. Por quem? Por uma menina 42 anos mais nova do que ele. A paixão inspirou o homem e ele lançou um livro de poesias. Todas dedicadas a ela – que tinha idade para ser neta. Fui ao lançamento. A menina estava lá. Belíssima. E a mulher dele também. Mal humorada, naturalmente. Acho até que no dia seguinte, ainda mais, afinal, ele encheu o Facebook com fotos da pequena. Dentre as poesias, tinha uma que citava uma frase que ele escrevera na &#8216;calçada dela&#8217;: &#8216;que seja eterno&#8217;.</p>
<p>Connecting the dots! I love it! Como disse, sempre perdi (???) tempo pensando na história atrás da história. E agora que sei esta (e outras poucas), vou continuar com os registros e ligando os pontos, nem que seja com a minha imaginação. Afinal, no ‘jogo das cidades’, mais que em ‘jogos’ como este, ‘de papel’, a cada novo jogador, um novo ponto surpreende.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://apulga.com/a-cidade-que-se-escuta/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Todos nós somos Estelita</title>
		<link>https://apulga.com/todos-nos-somos-estelita/</link>
		<comments>https://apulga.com/todos-nos-somos-estelita/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2014 11:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laécio Ricardo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Stardust]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apulga.com/?p=476</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Com freqüência, amigos que não são ou não residem no Recife me perguntam o que vem a ser o movimento “Ocupe Estelita”, expressão que, ante o silêncio da grande <a class="read-more" href="https://apulga.com/todos-nos-somos-estelita/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_478" style="width: 1244px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/06/Estelita2.jpg"><img class="size-full wp-image-478" title="Movimento Ocupe Estelita" alt="" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/06/Estelita2.jpg" width="1234" height="822" /></a><p class="wp-caption-text">Movimento Ocupe Estelita</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com freqüência, amigos que não são ou não residem no Recife me perguntam o que vem a ser o movimento “Ocupe Estelita”, expressão que, ante o silêncio da grande mídia, especialmente a pernambucana, ganha reverberação cada vez maior nas redes sociais, arrebatando novos seguidores, sejam figuras anônimas ou celebridades da constelação política e artística. Em rápidas linhas, diria que se trata de uma versão local do famoso <i>Occupy</i>, sem necessariamente se subordinar à matriz americana e tampouco sem partilhar completamente de sua pauta de reinvindicações.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Um lugar outrora cartão-postal do Nordeste, com suas pontes e casario histórico entrecortado pelo Capibaribe, gradualmente dá lugar a um arremedo de cidade inspirado em delírios arquitetônicos da contemporaneidade como Dubai ou Miami<strong>. </strong></div></strong></h3>
<p>Críticas aos processos de exclusão provocados pelos modelos econômicos hegemônicos no Ocidente, amparados num ideal de progresso com feições predatórias e nada sustentável, claro, estão na ordem do dia de todas as ocupações/manifestações que despontam mundo à fora. Mas o “Ocupe Estelita” tem suas particularidades. O foco prioritário, pelo menos até onde acompanho, é a crítica contundente ao modelo de expansão urbana do Recife (e de tantas outras capitais deste país, infelizmente), pautado num processo de verticalização progressiva que gera impactos ambientais e paisagísticos profundos e, quase sempre, desfigura a memória arquitetônica da cidade. Em síntese, uma edificação com potencial para se converter em patrimônio é destruída aqui; um espaço público, ainda que em desuso, mas passível de revitalização, é furtivamente leiloado ali – e quase sempre arrebatado por empreiteiras ansiosas por erguer novas torres de concreto e vidro. O resultado mais imediato: um lugar outrora cartão-postal do Nordeste, com suas pontes e casario histórico entrecortado pelo Capibaribe, gradualmente dá lugar a um arremedo de cidade inspirado em delírios arquitetônicos da contemporaneidade como Dubai ou Miami.</p>
<p>Mas minha resposta segue inconclusa. O <i>Estelita</i> do título se refere ao Cais José Estelita, antiga zona portuária do Recife, fincada no bairro de São José e às margens da Bacia do Pina, área de notável beleza pela junção do rio e do mar. Quem trafega ou pedala pela região, rapidamente se depara com um terreno de dimensões notáveis, aparentemente baldio e no qual despontam a carcaça de antigos galpões outrora utilizados para a estocagem e o comércio de açúcar. É precisamente esta área, seu destino e possível transformação, que hoje é objeto de uma queda de braço seminal para a cidade. De um lado, se encontra um <i>pool</i> de construtoras reunidas pelo pretenso nome de “Consórcio Novo Recife”. Amparadas pelo silêncio ou cumplicidade explícita do poder público municipal e estadual, e alicerçadas em um discurso que entende o progresso como drástica ruptura com o passado, ambicionam redesenhar a paisagem urbana do lugar com a construção de uma dezena de torres com 40 andares. Um futuro abjeto para uma área histórica e que ainda desfruta de notável vigor arquitetônico, não obstante a má preservação de alguns logradouros. A mudança radical, claro, no médio prazo culminaria numa espécie de privatização desta área de beleza singular – quantas construtoras, afinal de contas, não sonham com imensos terrenos à beira-mar e propícios à especulação imobiliária?</p>
<p>Do outro lado, se encontra um aguerrido grupo de ativistas, majoritariamente vinculados à comunidade “Direitos Urbanos” (abrigada no Facebook), um coletivo suprapartidário e sem lideranças verticais que reúne mais 20 mil adeptos. Sua pauta central: denunciar as múltiplas irregularidades do projeto “Novo Recife” – ilegalidades que vão do suspeito leilão do terreno do Estelita (com sinais de claro favorecimento) à inexistência de estudos de impacto ambiental e de vizinhança que autorizem a implantação do projeto – e exigir do poder público um debate transparente sobre o futuro da região, bem como a adoção de propostas mais inclusivas e que favoreçam um uso democrático do espaço. A cidade, afinal de contas, é para todos.</p>
<p>Embora afundado em irregularidades, as ações do “Consórcio Novo Recife” tiveram início há um mês, aproxidamente, e de forma covarde: na calada da noite, como convém às decisões furtivas que colocam em xeque os princípios democráticos. Em algumas horas e ante a força dos tratores, parte considerável dos galpões foi ao chão. Alguns civis, num gesto heróico, tentaram impedir a conclusão da destruição – no embate, claro, tiveram seus equipamentos eletrônicos confiscados, apanharam da segurança privada das empreiteiras e sofreram ameaças. Mas resistiram. Resistiram e fundaram no terreno um acampamento. De início, improvisado com sete ou oito barracas, a ocupação gradualmente floresceu, multiplicou o contingente de “moradores”, ganhou um sem-número de entusiastas e devolveu vida ao esquecido Estelita (diariamente, atividades culturais e educativas são organizadas no terreno). Mais do que isso, demonstrou que é possível, através de mobilização forte, pacífica e organizada, reverter um processo aparentemente inexorável ou recolocar na pauta pública temas que são de grande interesse da cidade, mas dos quais, estranhamente, nos encontramos apartados.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Diretamente vinculada às construtoras, ou reféns dos anúncios oriundos da construção civil, a grande mídia pernambucana, neste episódio, revelou sua faceta covarde e subserviente: silenciou, quando deveria investigar as irregularidades do “Novo Recife”.<strong> </strong></div></strong></h3>
<p>Diretamente vinculada às construtoras, ou reféns dos anúncios oriundos da construção civil, a grande mídia pernambucana, neste episódio, revelou sua faceta covarde e subserviente: silenciou, quando deveria investigar as irregularidades do “Novo Recife”; e quase sempre distorceu as informações relativas aos propósitos reais da ocupação, num intuito de “negativar” suas ações perante o grande público. Contra este discurso hegemônico, negativista, cumpliciado, restava o poder de fogo das redes sociais. Foi por esta via, principalmente, que a pauta do acampamento ganhou fôlego, que o “Ocupe Estelita” encontrou voz e reverberou em outras praças e corações. E, curiosamente, sensibilizou certos segmentos da imprensa fora de Pernambuco.</p>
<p>Hoje, contabilizadas algumas semanas de ocupação e de intensificação dos debates em torno do Cais José Estelita, ainda é cedo para avaliar o impacto da iniciativa civil, bem como para especular sobre o futuro da região. A queda de braço, bem o sabemos, é desigual – opõe o capital privado aliado do poder político a uma parte da sociedade que reivindica práticas urbanísticas inclusivas e sustentáveis para a cidade. Mas a ocupação, além de revitalizar um debate que parecia sentenciado, injeta esperança para que novas pautas ganhem visibilidade. E, claro, seu êxito pode inspirar focos de resistência semelhantes, no Recife ou em outras localidades. E este seria um ganho político imensurável. Afinal de contas, hoje, todos nós que lutamos por um mundo mais inclusivo somos Estelita.</p>
<p>Veja o <a href="http://projetonovorecife.tumblr.com/">Tumblr </a>satirizando o projeto Novo Recife.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://apulga.com/todos-nos-somos-estelita/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
