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	<title>A Pulga &#187; Culinária</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>A mesa farta de afetos</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2018 12:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Grazielle Albuquerque]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa curta]]></category>
		<category><![CDATA[Culinária]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando minha roommate veio visitar Fortaleza no final do ano andei com ela por alguns lugares, cumprimentei as pessoas que encontrava pelos caminhos, contei histórias e sobre aquela sensação de <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-mesa-farta-de-afetos/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2018/05/porto3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1801" alt="porto3" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2018/05/porto3.jpg" width="750" height="484" /></a></p>
<p>Quando minha roommate veio visitar Fortaleza no final do ano andei com ela por alguns lugares, cumprimentei as pessoas que encontrava pelos caminhos, contei histórias e sobre aquela sensação de pertencimento ela me dizia: &#8211; o nome disso é pátria. Uma das nossas paradas foi na barraca de suco de frutas do Mercado Central. Conheço o Zé Maria, o dono, há anos e, em nossa pausa turística, ganhamos de regalo uma mistura de manga, limão, maracujá, carambola, caju e cajarana. O melhor suco da vida! Era um presente e um desafio. Tome e descubra as frutas. Só não acertei as seis porque troquei a cajarana por cajá. Foi quase. Deve ser isso que a Débora Maciel chamou de pátria. O afeto e os sentidos.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Trocamos a batedeira e o imperativo &#8220;reserve&#8221; pelo desvelo da mesa repleta de ingredientes diversos próprios de quem cozinha como se dá à vida, sem medo de arriscar.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>E essa minha pausa na Fusta foi assim repleta de sabores. Em boa parte das férias, o corpo adoeceu me fazendo parar. Porém, neste hiato, os sentidos e os encontros avolumaram-se. E todos eles tinham gosto. Uns vieram de Viçosa, no licor de leite e na geléia de pimenta (que conheci há anos e para a qual nunca encontrei concorrentes) que o Laécio Ricardo trouxe de mimo à minha cozinha. Cruzando o oceano, os <em>caramels ao beurre salé</em>, presentes do Ray Junior, tinham gosto de virada de ciclo, de celebração.</p>
<p>Tudo assim, nos exemplos diversos das pequenas porções de sabor. No Natal, a torta de maça guardada para mim pela Socorro Tavares na famosa marmita fim-de-festa, nos bolos-aventura que tentei fazer para Ana Cesaltina e para Clarissa Tavares nas tapiocas agridoces e sopas de abóbora que sempre acolhem os que visitam o mofo-lar, nas degustações de café que distribuo como motivo de estar perto, na feijoada vegetariana do Mandir que me dou de prenda sempre que posso&#8230; E no fim desses dias, desses encontros todos, meu paladar ganhou de benesse a receita de papo de anjo da Adriana Ximenes.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">É da pátria-Fortaleza que levo o gosto de casa, do velho coado e do pão d´água servidos no café da manhã. É que para gente ganhar o mundo sem se perder, a gente precisa é de um porto.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Com o carinho feito aula particular, minha agenda anotou o passo-a-passo que a professora-brigita me ensinava como quem cantarola um segredo. Ela dizia: a receita diz assim, mas eu faço desse jeito, ó. Trocamos a batedeira e o imperativo &#8220;reserve&#8221; pelo desvelo da mesa repleta de ingredientes diversos próprios de quem cozinha como se dá à vida, sem medo de arriscar. O curioso é que o mundo gira. Ao que consta, o papo de anjo original chegou a Adriana pelas mãos de uma quituteira Leite Barbosa, mais adiante tentarei acertá-lo. A vida é assim, né? A gente recebe aqui e passa acolá.</p>
<p>Eu que sou filha de uma grande cozinheira, temo não ter herdado esse dom. Mas, sei ao certo apreciar os encontros. E destes levo minha mala repleta. Se São Paulo me fez conhecer o café especial em grãos, a sofisticação das receitas e dos pensamentos acadêmicos, é da pátria-Fortaleza que levo o gosto de casa, do velho coado e do pão d´água servidos no café da manhã. É que para gente ganhar o mundo sem se perder, a gente precisa é de um porto. Graças a Deus eu tenho o meu e ele é assim, bonito e saboroso como uma mesa farta. Inté, Fusta!</p>
<p>Texto publicado originalmente em 8 de março de 2016.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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