<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>A Pulga &#187; Identidade</title>
	<atom:link href="https://apulga.com/tag/identidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://apulga.com</link>
	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
	<lastBuildDate>Mon, 02 Oct 2023 09:05:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=3.8.41</generator>
	<item>
		<title>Pelo direito de ser outro</title>
		<link>https://apulga.com/pelo-direito-de-ser-outro/</link>
		<comments>https://apulga.com/pelo-direito-de-ser-outro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Jul 2014 11:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Naiana Rodrigues]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Avulsa]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apulga.com/?p=555</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Um dia desses, estava eu numa dessas “fertinhas” da vida, rodeada de rapazes que ficavam com rapazes, de moças que beijavam outras moças ardentemente e de rapazes que beijavam <a class="read-more" href="https://apulga.com/pelo-direito-de-ser-outro/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_557" style="width: 420px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/07/Naiana-texto-1-andyF2.jpg"><img class="size-full wp-image-557" alt="Andy Warhol em um self-portrait " src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/07/Naiana-texto-1-andyF2.jpg" width="410" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Andy Warhol em um self-portrait</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um dia desses, estava eu numa dessas “fertinhas” da vida, rodeada de rapazes que ficavam com rapazes, de moças que beijavam outras moças ardentemente e de rapazes que beijavam rapazes, mas também gostavam de bitocar e “amassar” as moças. E aí, antes de pedir que o mundo parasse para eu dar uma descidinha, lembrei, quase que de imediato, de outro momento em que participava de uma banca de monografia, quando um colega disse que a discussão de identidade estava superada academicamente falando, meio démodé.</p>
<p>Pensei, pensei, li, li sobre relacionamentos livres, bissexualidade, poliamor, buscando a resposta para as interações que vi na noite, mas não paro de pensar mesmo é na identidade, no Stuart Hall e na colocação do meu colega, para quem, acredito eu, a identidade é tida como um conjunto de rótulos fechados e estanques. E, desse ponto de vista, sim, ela está completamente superada.</p>
<p>Mas é difícil pensar na superação da identidade dualista e fechada quando ainda nos comportamos como homens cartesianos, classificando o mundo em pares de opostos que não se encontram, se misturam, dialogam. Preto ou branco; direita ou esquerda; homem ou mulher; brega ou chique; vilão ou mocinho, heterossexual ou homossexual, etc. A classificação em categorias com limites e definições nos dá certa segurança para entender o mundo. Durante muito tempo, nos foi necessário pensarmos em termos exclusivos ou duais.</p>
<p>Mas os anos de 1980 chegam, e para quem diz que esta foi uma década perdida, não entende a revolução que os pensamentos do momento trouxeram para a cultura. Junto com Madonna e Michael Jackson, na cultura pop, Derrida e Lyotard despontam na cultura erudita desconstruindo tudo o que era aparentemente sólido, inclusive as identidades.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">A pós-modernidade traz como maior benesse a possibilidade de percebermos a complexidade e que aqueles rótulos hermeticamente construídos não conseguiam mais dar conta de um mundo ambivalente ao extremo.</div></strong></h3>
<p>A “famigerada” pós-modernidade – discussão também old fashioned, para muitos, no âmbito científico – traz como maior benesse, a meu ver, a possibilidade de pensarmos no “para além”, de percebermos a complexidade e que aqueles rótulos hermeticamente construídos não conseguiam mais dar conta de um mundo ambivalente ao extremo.</p>
<p>Uma década inteira se passou, a pós-modernidade continuava a inquietar, muitos jovens ouviam Nirvana, desfiavam seu jeans e o jamaicano Stuart Hall tentava compreender como a identidade cultural se comportava na contemporaneidade. E, assim, ele alertava que uma identidade não é suficiente para nos definir, pois somos compostos de múltiplas identidades, temporárias e que ficam estagnadas por algum tempo, nos garantindo certa segurança.</p>
<p>Pensar desse jeito já garante certo alívio, mas ainda não resolve o problema das classificações, pois essas identidades podem muito bem ser construídas com base em tipologias e categorias fechadas: mãe, profissional, tradicional, elegante, homossexual, etc. A inquietação volta, pois tenho que escolher com o que me identificar e, somente depois de um tempo, posso me identificar com o oposto do que sou hoje. Ou seja, o sujeito tinha que escolher uma posição. É quase uma releitura da lei da física de que um corpo não pode ocupar o mesmo lugar no espaço. Não há lugar para a contradição. E, assim, voltamos mais uma vez ao cartesianismo.</p>
<p>E, agora, recordo da minha orientadora do mestrado que costumava me lembrar de que o homem é contraditório por natureza. E que há lugares sociais e culturais em que essas contradições são aceitáveis e outros em que são completamente banidas. Portanto, se a coerência é uma cobrança dominante, por exemplo, ser contraditório é ser diferente. Apenas isso, e não ser bom ou ruim, melhor ou pior.</p>
<p>Antes que cheguemos a um impasse, retomo o mesmo Hall acompanhado de Katryn Woodward que também me falaram das identificações e de que nos construímos, enquanto sujeitos culturais, mais pelas diferenças do que propriamente pelas identificações, que aparecem em um segundo momento nessa formação.</p>
<p>Em linhas gerais, só sei quem eu sou, porque sei que sou diferente de você. E a beleza dessa conclusão, para mim, particularmente, está no fato de que ela coloca em primeiro plano o reconhecimento do outro, da alteridade, de um exterior a mim, e tira da identidade o peso de uma construção solitária, subjetivista e interiorizada. A identidade se ergue no encontro, na minha interação com o outro, com o fora de mim.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> Só sei quem eu sou, porque sei que sou diferente de você. (&#8230;) A identidade se ergue no encontro, na minha interação com o outro, com o fora de mim. </div></strong></h3>
<p>As diferenças atraem e, ao mesmo tempo assustam, exatamente porque o que reconhecemos como diferentes são os sujeitos fora dos padrões, que vivem para além dos limites, das definições, das classificações. É aqui onde reside o problema, a rejeição, a xenofobia, o preconceito e também a violência. O pensamento dualista levado ao extremo faz com que se considere o outro, o diferente como inimigo ou como inferior. Os homossexuais já experimentaram muito desse ódio sem justificativa, mas também o menino obeso que sofre bullying no colégio e a menina muito alta para a média da idade que usa roupas engraçadas e vira motivo de chacota.</p>
<p>Não estamos preparados para o diferente. Essa é questão. Mas ele avança e se mostra em comportamentos de moda, estilo de vida, sexualmente falando e afetivamente também. O diferente não se enquadra nas categorias convencionais nem nas tipologias de mercado, que dirá na legislação civil. Mas está por aí, nas festas, nas ruas e nos consultórios psiquiátricos e psicológicos, tentando entender que ser diferente não é problema, mas compreendendo que a sociedade aceita com mais “simpatia” os iguais, apesar dessa igualdade ser um discurso forjado, muitas vezes, em torno de identidades individualistas e identificações fracas.</p>
<p>Como vocês podem perceber, essa discussão pode ser travada em diferentes áreas, da política às questões de gênero. Mas, por enquanto, ela me acalenta quando me deparo com o diferente por aí e quando sinto um desejo incontrolável de encerrar minha conta no Facebook ou sair excluindo perfis da timeline como se não houvesse amanhã. Toda vez que vejo uma opinião com a qual não concordo – desde que ela não tenha teor preconceituoso – penso: é apenas o diferente, Naiana, é apenas o diferente!</p>
<p>P.S – Concordo com o colega de que já temos identidades demais compreendidas, precisamos olhar sim para as diferenças que se apresentam.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://apulga.com/pelo-direito-de-ser-outro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
