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	<title>A Pulga &#187; Jornalismo</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>Vão-se os anéis e os jornais, infelizmente&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2021 19:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laécio Ricardo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Stardust]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante a minha formação escolar, uma convicção rapidamente se enraizou como meta futura: eu seria jornalista e minha escrita, aliada à uma curiosidade incansável, haveria de me levar para outros <a class="read-more" href="https://apulga.com/vao-se-os-aneis-e-os-jornais-infelizmente/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2021/02/Memorias-jornalismo1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1980" alt="Memorias jornalismo1" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2021/02/Memorias-jornalismo1.jpg" width="662" height="499" /></a></p>
<p>Durante a minha formação escolar, uma convicção rapidamente se enraizou como meta futura: eu seria jornalista e minha escrita, aliada à uma curiosidade incansável, haveria de me levar para outros horizontes, além de um conjunto residencial situado na periferia de Fortaleza. Era algo cristalino, como uma dose de Ypióca Prata. Tal decisão nunca comportou hesitações e a aprovação no curso de Comunicação Social da UFC, num longínquo 1995, me parecia apenas a confirmação de um destino ambicionado desde os 12 anos.</p>
<p>Nos semestres finais da graduação, tive meu batismo profissional na sucursal da revista Veja, em período no qual a revista salpicava escritórios pelas grandes capitais do País. Em seguida, ingressei na Gazeta Mercantil, então o baluarte do jornalismo econômico brasileiro, numa época em que inexistia o Valor Econômico. Guardo lembranças positivas e negativas destas experiências; e, claro, coleciono algumas amizades. Mas se retomo hoje essas memórias, é para celebrar outro periódico e redação, aquela que foi a minha verdadeira casa, não obstante seus defeitos estruturais – o jornal Diário do Nordeste (DN), cuja edição impressa deixará de circular em fins de fevereiro, após quase 40 anos de atividades. A versão online sobreviverá; e pelo que me consta, turbinada. Alguns dirão que é uma migração inevitável; outros, que muitos empregos serão mantidos. Não contesto. Mas um portal não compensa minha insatisfação sempre que uma rotativa cessa de rodar.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Mas se retomo hoje essas memórias, é para celebrar o jornal Diário do Nordeste (DN), cuja edição impressa deixará de circular em fins de fevereiro, após quase 40 anos de atividades. A versão online sobreviverá; e pelo que me consta, turbinada. Mas um portal não compensa minha insatisfação sempre que uma rotativa cessa de rodar.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Neste misto de saudosismo e pesar pelo seu fechamento (uma sina compartilhada com outros tantos jornais brasileiros), faço um hiato para dois esclarecimentos. Nos anos em que vertia sangue para me converter num jornalista econômico mediano, frustrado porque estagiava numa área que não me apetecia, foi o DN que abriu suas portas para meus textos no campo do jornalismo cultural, publicados com pseudônimo porque a Gazeta Mercantil não autorizava de outra forma. Alguém indagará: você recebia algo pelas matérias? Não, escrevia de boa vontade e de peito estufado. E o que ganhei? Aquelas matérias não apenas me deram visibilidade numa seara que eu gostaria de ingressar; elas também asseguraram minha sobrevida emocional, uma vez que eu podia contornar a minha insatisfação diária a cada publicação anônima. E tal experiência rendeu frutos: após concluir a graduação, em meio a euforia pelo canudo e ansiedade para inaugurar a carteira de trabalho como efetivo, fui demitido da Gazeta. Um episódio muito dolorido, diga-se de passagem. Tal notícia chegou ao DN e, em menos de uma semana, o editor de cultura me recrutou para integrar sua equipe em definitivo. Aquelas matérias anônimas germinaram e a redenção possível veio.</p>
<p>Integrei a equipe do DN por quase 10 anos, com uma única pausa durante o início do meu mestrado. Ali colecionei amigos e quase nenhum desafeto (pelos menos, eu acho!). Fiz matérias que me honraram imensamente e outras que, a contragosto, tive que encarar. Jornalismo, eu lembro, não é blog, não é escolha pessoal – você se depara com paixões e rancores, levanta a cabeça e aprende a driblar os dissabores. O nome disso é malícia (no bom sentido), traquejo, experiência, savoir faire. No DN, fui uma foca feliz, um aprendiz permanente e me converti num profissional respeitado. Lembro com carinho de dezenas de reportagens que me emocionaram; e tinha um apreço imenso pelas edições dominicais, cujas matérias especiais consumiam longos dias de apuração e resultavam em pequenos dossiês sobre temas quase sempre fascinantes.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Foi o DN que abriu suas portas para meus textos no campo do jornalismo cultural, publicados com pseudônimo porque a Gazeta Mercantil não autorizava de outra forma. Escrevia de boa vontade e de peito estufado. Aquelas matérias não apenas me deram visibilidade numa seara que eu gostaria de ingressar; elas também asseguraram minha sobrevida emocional.</strong><strong></div></strong></h3>
<p>Uma redação de jornal é uma família. Extensa, é verdade. E como em toda família, há as afinidades e os mais distantes. Ali, eu contabilizei tantos afetos, que é impossível mensurar: colegas de geração se mesclavam a ex-alunos, que agora partilhavam comigo os “ossos do ofício”; e veteranos de outras décadas observavam curiosos a nossa presença crescente. Hoje, aos 44 anos, caso ainda estivesse na redação, me pergunto como eu acompanharia esta inevitável tarefa de renovação – eu seria receptivo ou teria desconfiança com os novatos?<br />
Não pensem, pela leitura deste texto, que idealizo a profissão e mascaro suas dificuldades. De modo algum: os salários são defasados; as cobranças, permanentes; e as recompensas, nem sempre imediatas. Eventualmente uma pauta solicitada por encomenda da chefia ou para agradar um amigo dos proprietários, desconectada de importância para sua editoria, pode representar um desafio humilhante. E claro que os enfrentei. Mas se há desgosto nestas ocasiões, é preciso ressaltar também a euforia quando sua matéria emociona os leitores, transforma positivamente a vida das fontes consultadas ou promove empatias necessárias. Assim, nesta gangorra entre o impublicável e a reportagem notável, é preciso dosar para mensurar sua experiência profissional: no meu caso, o saldo é positivo, de longe.</p>
<p>Deixei a redação no fim de 2007 para cursar o doutorado e não mais retornei. Volta e meia confiro alguma edição, e sempre que vou a Fortaleza, tento visitar o jornal ou encontrar algum colega de ofício, embora minha geração hoje seja minoria no expediente. Mas a notícia recente do fechamento iminente do DN me alvejou em cheio. E retirou do meu estoque de lembranças uma dezena de memórias tocantes, felizes, preciosas&#8230; Não sei se outros jornalistas que passaram pela casa foram sensibilizados da mesma forma, afinal o vírus da comoção tem diferentes intensidades. Quanto mim, permaneço triste ao saber que suas rotativas ficarão emperradas.</p>
<h3></h3>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>O jornalismo que nos move</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2015 14:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Grazielle Albuquerque]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Grilo Falante]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um certo espírito gremista que é das coisas mais bonitas no ser humano. Algo da meninice, do trabalho em grupo, da reunião com os amigos, um pouco do que <a class="read-more" href="https://apulga.com/do-jornalismo-que-nos-move/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/J50-LOGO-JORNALISMO111.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1208" alt="J50 - LOGO JORNALISMO111" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/J50-LOGO-JORNALISMO111.jpg" width="650" height="650" /></a></p>
<p>Há um certo espírito gremista que é das coisas mais bonitas no ser humano. Algo da meninice, do trabalho em grupo, da reunião com os amigos, um pouco do que hoje se costuma chamar de “coletivos”. Ainda que motivado por um indivíduo, o espírito de empreender o novo acaba sempre a arregimentar mais pessoas. É comovente – porque move em conjunto &#8211; como quase todos os desejos juvenis.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Muitas das relações construídas no Curso de Comunicação da UFC partem desse desejo de descobrir a vida. Querer dizer algo com o outro e para o outro é o que torna essa memória tão viva porque esse desejo, ainda que adormecido, continua em nós.</div></strong></h3>
<p>Podemos enumerar os casos em que este desejo se materializa e muda algo: Millor Fernandes criou “Pif-Paf” em maio de 1964. Com a Ditadura Militar, o jornal durou apenas três meses e oito exemplares, mas até hoje é referência no jornalismo.  Nos anos 1990, Ziraldo aparecia intrépido com suas revistas “Palavra” e “Bundas”. A primeira tentava deslocar apreciação cultural do eixo Rio-São Paulo enquanto a segunda tirava onda com o mundo das celebridades que, à época, começava a mostrar sua face moderna. O slogan era: “Quem põe a Bunda em Caras, não põe a Cara em Bundas”. Isto para não falar do Pasquim. Ah, o Pasquim!</p>
<p>Quando se entra no curso de Comunicação Social todas essas referências mágicas viram possíveis. É como se você pudesse finalmente dizer a plenos pulmões para o colega do lado: “Ei, vamos fazer um jornalzinho?”. Assim, este “mal” inventivo curar-se porque pode realizar-se em imagens, sons e palavras. Fico a me perguntar quantos dos que leem esse texto já não fizeram (ou desejaram fazer) um jornalzinho na escola, tiveram um álbum de colagem, montaram um fanzine, criaram ou um blog.</p>
<p>Estar no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (que completa 50 anos) é, sem dúvida alguma, a possibilidade de exercitar essa vontade de se expressar. No final da década de 1990 vimos o Jabá ser reeditado, acompanhamos a criação do Bichos Escrotos, do Panegírico, da Pulga&#8230; A série de programas na radiadora. Depois, nos anos 2000 foi a vez de ver iniciativas como o Grupo Tr.e.m.a. e a Aerolândia. Novamente o Jabá era reeditado. Também é possível lembrar as inúmeras festas, paródias (ai meu paradigma, ai ai ai meu paradigma), a incrível Copa Jabá, vídeos, entrevistas e reportagens. Se era preciso fazer, nós fazíamos fossem ou não aquelas aventuras parte de uma disciplina. O que aprendemos estava também no poleiro, no bar e na torrinha. Tivemos a sorte de poder fazer uma faculdade que não apenas nos deu um ofício como nos tornou mais humanos e esta uma constatação preciosa.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Imaginar esse tipo de relação também entre alunos e professores &#8211; que sem dúvida são nossos amigos, como o mestre Agostinho Gósson, parece quase um manifesto subversivo contra os ditames impostos pela hierarquia.</div></strong></h3>
<p>Muitas das relações construídas no Curso de Comunicação da UFC partem desse desejo comum de descobrir a vida e dar a ela uma forma que se parecesse conosco. Querer dizer algo com o outro e para o outro é o que torna essa memória tão viva porque esse desejo, ainda que adormecido, continua em nós. É só olhar na timeline do Facebook e ver como são intensos os laços formados a partir daquele espaço e daqueles anos de convivência. Ainda que esqueçamos a tecnologia e as redes sociais, quantos colegas de sala não se tornaram padrinhos e madrinhas dos filhos de quem sentava a seu lado. Tantos que foram morar em outros estados e países mas se mantém presentes um na vida do outro. Quantos não cultivam laços que permanecem até hoje e, pela lógica do passar do tempo, deviam ter sido amainados.</p>
<p>Imaginar esse tipo de relação construída não apenas entre pares, meninos que começaram juntos a vida adulta, mas também entre alunos e professores &#8211; que sem dúvida são nossos amigos (os mestres Agostinho, Ronaldinho, Silas, Juju, Gilmar, Ricardo Jorge&#8230;) parece quase um manifesto subversivo contra os ditames impostos pela hierarquia. Mas, a Comunicação (o jornalismo e a publicidade) sempre foi assim, plural, com gente e formas de se relacionar que não cabiam em gavetas e armários. Isto é outros aspecto que sempre permitiu as mais diversas manifestações de opinião e informação.</p>
<p>Durante as diversas manifestações que estes 50 anos de jornalismo causou, talvez seja este espírito gremista de realizar algo junto, de estar perto, assim como quem divide um álbum de figurinhas, seja a maior representação do que é afeto. É isto  que nós faz olhar os anos de faculdade como algo que é parte de nós, vive pleno no que aprendemos, nas relações que construímos e nesse desejo de encontrar o outro.</p>
<div class="scbb-content-box-gray scbb-rounded-corners"><span style="line-height: 1.5em"><br />
</span><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_03_valdeliomuniz.png"><img class="size-full wp-image-1181 alignleft" alt="ufc50anos_03_valdeliomuniz" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_03_valdeliomuniz.png" width="254" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Parecia óbvio, elementar, para estudantes de Jornalismo, disporem de um jornal que, além de servir de “laboratório”, fosse um canal de integração dos diversos semestres em vez de mero produto de disciplinas isoladas. Mas nem por isso, era realidade até o final de 1996. Atentos a este vácuo, os estudantes criaram, então, o Jabá, como publicação independente da coordenação e livre das amarras até mesmo do Centro Acadêmico. E, em torno dele, um novo tempo e uma salutar movimentação foram se formando. Além de veicular importantes matérias, artigos, entrevistas, poesias, charges e reportagens, ele também “pariu” saudosas crias como a Copa Jabá, que integrou na Quadra do Céu equipes de futebol formadas por estudantes, servidores e professores, e o “Grande Prêmio Jabá de Jornalismo”, que reconhecia, periodicamente, os melhores trabalhos publicados no informativo em diferentes categorias. Foi a prova concreta de que o envolvimento e o compromisso de um grupo de estudantes de diferentes períodos, com a aprovação do público-alvo, são capazes de defender bandeiras, deixar indiscutível marca e fazer história.&#8221;</em></p>
<p><strong>– Valdélio Muniz, turma de 1993.2 &#8211; sobre o primeiro Jabá</strong></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_01_adrianolima1.png"><img class="size-full wp-image-1182 alignleft" alt="ufc50anos_01_adrianolima" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_01_adrianolima1.png" width="234" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Durante minha passagem pelo Curso de Comunicação Social da UFC, tive a oportunidade de contribuir para o Jabá (a “fênix ressurrecta”), os Bichos Escrotos (se o nosso objetivo é informar, esse foi o “trote” mais genial) e o Jerimum (que não era jornal, mas um fanzine com duas edições em que apresentei o El Torrinha ao mundo). No entanto, foi o Panegírico minha primeira experiência com a produção de jornais na graduação.</em></p>
<p><em>Idealizado e coordenado pelo Márcio Teles e mais um punhado de pessoas da turma 1998.1, o jornal cujo título ninguém sabia o que significava (nem eu) começou polêmico. Muitos criticaram seus textos assinados com pseudônimos (eu era o “Fox Mulder”; não me processe, FOX!). Outros não foram simpáticos a um “rival” do Jabá, que passava por um de seus muitos períodos de hibernação. Poucos reclamaram dos textos, altamente autorais de quatro ou cinco alunos de primeiro semestre e, em sua maioria, poesias, crônicas ou baseados em fato nenhum (eu escrevia sobre paranormalidade e extraterrestres, por exemplo).</em></p>
<p><em>Apesar do mundo de 2015 banalizar o anonimato como estratégia para se “irresponsabilizar” por eventuais críticas ou acusações, em 1998, no caso do Panegírico, o objetivo era apenas permitir as expressões de forma mais livre. Ainda hoje sorrio ao lembrar da caça às bruxas, quando colegas de classe deram chiliques (piti, ataque histérico&#8230;) exigindo que os redatores anônimos se apresentassem publicamente.</em></p>
<p><em>Por mais que tenha gerado reclamações de alunos e professores, o Panegírico foi uma ótima experiência: começando pelo convite para concretizar uma ideia de se fazer um jornal, passando por acompanhar com o Márcio (vulgo “Du Bocage”) a produção artesanal (melhor que “amadora”) em MS Word e, por fim, buscar soluções para garantir sua impressão<span style="line-height: 1.5em">.</span>&#8220;</em></p>
<p><strong>– Adriano Lima, turma de 1998.1 &#8211; sobre o Panegírico</strong></p>
</div>
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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_02_graziellealbuquerque_1.png"><img class="size-full wp-image-1183 alignleft" alt="ufc50anos_02_graziellealbuquerque_" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_02_graziellealbuquerque_1.png" width="347" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Sabe aquele espírito inquieto que só a meninice tem? Pois é, a Pulga nasceu desse ânimo, da vontade de experimentar coisas novas e poder criar algo no tato, sem um molde. Eram meados do ano 2000, com o emblemático século XX batendo à porta, e o projeto da Pulga surgiu como um canal para dar vazão à produção de um grupo de amigos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC).</em></p>
<p><em>Fazíamos parte de uma geração de jovens comunicadores que tinha de aprender a lidar com a transição do analógico para o digital. Era uma época de sucateamento da universidade pública em que o lema era “se virar” com o que tinha. Diante da escassez de veículos institucionais, da uma urgência de dar conta do mundo e do primeiro contato com o online, o site servia como um canal para tirar da gaveta aquela produção nascente nos corredores do Centro de Humanidades.</em></p>
<p><em>Lembro que a ideia e criação da página surgiu a partir do contato com o professor Ricardo Jorge de Lucena Lucas, então meu orientador de iniciação científica, que ministrava uma cadeira opcional de jornalismo na internet. Até hoje, mantenho uma apostila com mil e uma dicas de edição em HTML. Essa perspectiva aberta de criação era o ponto central do projeto. Podíamos não só escrever, mas criar formatos, misturar cores, idealizar seções&#8230;</em></p>
<p><em>O projeto original durou uns 2 anos e, em 2014, ele voltou a ativa com novo formato, colaboradores antigos e novos que ajudam a criar um espaço sem pretenção. É uma espécie de sala onde o que a gente quer é sentar e conversar, encontrar os amigos, juntar opiniões diversas e escrever por diletantismo.&#8221;</em></p>
<p><strong>– Grazielle Albuquerque, turma de 1998.2 &#8211; sobre a Pulga</strong></p>
</div>
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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_04_raquelgoncalves.png"><img class="size-full wp-image-1184 alignleft" alt="ufc50anos_04_raquelgoncalves" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_04_raquelgoncalves.png" width="291" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Há 10 anos, em uma reunião no Shopping Benfica, o Tr.e.m.a. – Território de Expressão no Mundo Anônimo surgia com toda a ingenuidade e o desejo de mais um grupo de amigos que dividiam anseios: escrever, questionar a realidade e a maneira como a comunicação era feita. Entre um copo de cerveja e outro e inúmeras discussões, formatamos um grupo exigente com suas próprias criações, ousado e pretensioso. Mas como esperar diferente de jovens sedentos por algo novo?</em></p>
<p><em>Durante dois anos dos três de existência do grupo, nos lançamos pelas madrugadas de Fortaleza conversando com as pessoas que passavam pelos sete terminais de ônibus da cidade: Conjunto Ceará, Papicu, Siqueira, Antônio Bezarre, Messejana, Lagoa e Parangaba. A ideia de experimentar a cidade, revelar novos olhares e viver um estranhamento de percepções a partir de narrativas gerou uma revista de reportagens – Cadeira com Rodas – e um documentário – O Conto Torto do Olho. Afinal, tínhamos que materializar de alguma forma nossa necessidade de deturpar caminhos pre-estabelecidos e de romper com a imagem cristalizada da “Fortaleza Bela” ou da “Cidade do Sol”.</em></p>
<p><em>Na época, nos achávamos muito mais do que realmente éramos. Mas vejo isso como natural de uma fase importante da vida, quando as vivências coletivas passam a dar sentido às nossas escolhas. Nossa formação pessoal, sem dúvida, foi moldada também por essa experiência viva durante o curso de Comunicação na UFC.&#8221;</em></p>
<p><strong>– Raquel Gonçalves, turma de 2004.1 &#8211; sobre o  Tr.e.m.a.</strong></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_05_guilhermecavalcante.png"><img class="size-full wp-image-1185 alignleft" alt="ufc50anos_05_guilhermecavalcante" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_05_guilhermecavalcante.png" width="333" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Em 2006 estava no meu terceiro ano de faculdade e completamente imerso na vida universitária. Tinha acabado de integrar uma chapa para o DA e mexendo nos arquivos descobri muita coisa sobre o jornal, que chegou a mim em 2004, mas de uma forma mais caricata, humorística. Não que tenha deixado de ser, mas o Jabá era um jornal sério, concebido para suprir a falta de um jornal laboratório, quando foi criado. Acionei uma turma pela lista do Data e convidei o Humberto (esqueci o sobrenome) para fazer uma oficina de jabá (risos). Pesquisando, descobri uma matéria da Mônica Mourão explicando a história. Pedi a ela para republicar na primeira edição. A euqipe não tinha ninguém fixo, mas o Alan Santiago, a Débora Medeiros e o Henrique Araújo sempre colaboraram. Eu ficava na edição e diagramação e também com a coluna alpinismo, junto da Thaís Fernandes e da Pamela Lemos.</em></p>
<p><em>Eu decidi retomar o Jabá porque eu tinha extremo afeto pelo curso, pelo DA e pelos projetos que as gerações passadas iniciaram, mas que foram se esquecendo no tempo. Pessoalmente, o momento mais especial foi ter ido a uma coletiva da Marisa Monte e em meio a dezenas de jornalistas eu fui lá me apresentar como repórter do Jornal Jabá, o que fez a Marisa rir. Ela me perguntou: &#8211; Você é de que jornal? Eu respondi: &#8211; Do Jabá. E todo mundo que estava na coletiva e que conhecia o jornal do curso também começou a rir.<span style="line-height: 1.5em">&#8220;</span></em></p>
<p><strong>– Guilherme Cavalcante, turma de 2004.1 &#8211; sobre o  terceiro Jabá.</strong></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_06_yurileonardo.png"><img class="size-full wp-image-1186 alignleft" alt="ufc50anos_06_yurileonardo" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/11/ufc50anos_06_yurileonardo.png" width="242" height="225" /></a></p>
<p><em>&#8220;Era final da década zero-zero e o mundinho da Comunicação em Fortaleza ainda estava zonzo pela quantidade de profetas, picaretas e aventureiros de toda sorte que se arriscavam em palestras sobre como as midias sociais nos trariam o Novo Jornalismo. Sim, esse Jornalismo do Futuro, o Jornalismo Conectado, e toda essa quimera que nunca chegou.</em></p>
<div>
<p><em>Tem, mas tá faltando: o que ficou em nossa cidade foi só mais brechas para se explorar mais o repórter-operário.</em></p>
<p><em>Foi nessa época quando arrumei meu primeiro estágio e descobri que a mágica no Jornalismo acontecia fora da sala de aula. E preciso dizer que a mágica também não estava dentro das redações. Nada mais clichê dizer aqui que as amizades que você constrói te ensinam mais do que sala de aula ou uma empresa. E foi. Era quase como figurar no Conta Comigo, clássico de Sessão da Tarde.</em></p>
<p><em>Dei sorte de conhecer uma turma que também andava encucada com os rumos das próprias linguagens com as quais trabalhavam. Escrita. Desenho. Objetos editoriais. Com alguns dos membros da patota já castigados de outras experiências de reinventar a roda no Jornalismo, nossa ambição nunca foi pousar o metier em um pedestal e circundá-lo como quem estuda uma escultura. Naquele momento, falo por mim, dava prazer alcançar a potência em revelar algo se utilizando da mentira, da picardia, da galhofa. E mentira só existe se há, de fato, algum naco de verdade &#8211; inclusive aquelas que precisam ser tocadas mesmo que ninguém esteja tão disposto a enfiar as mãos no chorume.</em></p>
<p><em>Talvez tenha sido desse chiste, de um &#8220;jornalismo&#8221; pautado na mentira, que o humor, essa casca de banana que faz tropeçar nosso senso mequetrefe de realidade, se tornou uma potente força motriz. Aerolândia foi nosso brinquedo, um experimento de fundo de quintal montado toda a sucata que encontrávamos, com o que era descartado do jornalismo tradicional. Durante o primeiro mês de AERO, era como se a semana inteira somente acontecesse para fazer eclodir uma nova edição online da &#8220;revista-fantasma&#8221; na quinta-feira, um dia antes da Revista Aldeota ser disponibilizada aos leitores.</em></p>
<p><em>(É importante notar também essa noção de &#8220;ecossistema&#8221; dos produtos editoriais de uma cidade. Houve, sem dúvida, uma motivação de circular uma publicação alheia ao que era feito pela Revista Aldeota. Havia uma frase que circulava pelas nossas cabeças, &#8220;é preciso fazer alguma coisa&#8221;, que motivou aquele movimento de editores e colaboradores &#8211; &#8220;piratas anônimos encastelados da academia&#8221;, como já fomos batizados uma vez. Sem muita curva, os editoriais das primeiras duas edições falam bem melhor sobre isso do que eu poderia escrever. De resto, aquele forte abraço para os aldeotinos que levaram pro pessoal. Sei lá, a vida é muito curta pra ter rancor, sabe?)</em></p>
<p><em>Como diz minha companheira, que também figurava no núcleo editorial do projeto, &#8220;perdeu a graça quando a coisa toda virou piada&#8221;. Daquilo tudo, fica um sorriso bobo ao revisitar arquivos antigos e constatar o quanto experimentamos os diversos sabores da linguagem em perfis, artigos, ensaios e ilustrações. Ficam as memórias dos almoços em conjunto, elaborando pautas, anunciando textos e editando cada nova edição, tudo muito regado a frango à cabidela com as gargalhadas que escuto até hoje, quando lembro que não preciso levar nada na vida tão a sério.&#8221;</em></p>
</div>
<p><strong>– Yuri Leonardo, turma de 2007.1 &#8211; sobre a Aerolândia</strong></p>
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<p><span style="line-height: 1.5em;"> </span></p>
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		<title>A miséria do jornalismo ou a miséria do mundo?</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2015 16:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Naiana Rodrigues]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Avulsa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava eu, por esses dias, lendo um livro-reportagem sobre a queda da bomba de Hiroshima. O relato feito pelo jornalismo John Hersey, publicado na The New Yorker, em 31 de <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-miseria-do-jornalismo-ou-a-miseria-do-mundo/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/09/Avulsa-4-imagens6.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1084" alt="Avulsa 4 - imagens6" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/09/Avulsa-4-imagens6.jpg" width="620" height="412" /></a></p>
<p>Estava eu, por esses dias, lendo um livro-reportagem sobre a queda da bomba de Hiroshima. O relato feito pelo jornalismo John Hersey, publicado na <i>The New Yorker</i>, em 31 de agosto de 1946, é considerado uma espécie de “Cidadão Kane” do jornalismo. Juízos de valor à parte, o fato é que a reportagem narra a vida de seis personagens antes, durante e depois do bombardeio. Em um pouco mais de 30 mil palavras, o jornalista trata com sobriedade o horror que foi a morte de 100 mil pessoas e os ferimentos de mais 100 mil, ora provocando pesar, identificação, lamento e fé do leitor para com os personagens. Ainda não terminei a leitura, mas o livro já me levou às lágrimas várias vezes pelo simples fato de lembrar que a humanidade, definitivamente, é desumana – com o perdão da tomada de empréstimo do trocadilho musical de Renato Russo.</p>
<p>Estou eu envolta na leitura, tentando saber o desfecho das vidas desses seis japoneses e das centenas de outros personagens que perpassam a narrativa quando me deparo, nas redes sociais, com a publicação, no dia 2 de setembro, da foto do pequeno menino sírio morto em uma praia na Turquia após um naufrágio de um barco com imigrantes  do Oriente Médio. E mais do que as notícias sobre o caso, já me dou conta também da repercussão em torno dele. A ética em torno da publicação da imagem pela mídia foi o argumento mais recorrente, seguido de perto pelo argumento de que não precisamos ver imagens tão tristes como esta, pois elas, supostamente, banalizam a desgraça alheia.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">A ética em torno da publicação da imagem pela mídia foi o argumento mais recorrente, seguido de perto pelo argumento de que não precisamos ver imagens tão tristes como esta, pois elas, supostamente, banalizam a desgraça alheia. </div></strong></h3>
<p>A primeira coisa que me veio à mente foi: se em 1946, Hersey e os editores da <i>The New Yorker</i> pensassem assim, essa grande obra jornalística não teria saído do imaginário do jornalista. As palavras de Hersey têm o mesmo valor dos pixels da imagem fotográfica que rodou o mundo no dois de setembro. Os dois relatos de naturezas linguísticas distintas e contextos sócio-culturais também diferentes, carregam entre si a semelhança de terem incomodado o <i>status quo</i> e dado a ver ao mundo o terror das ações de governos intransigentes. A cúpula norte-americano, à época de Hiroshima, teve que se explicar sobre o uso de uma arma nuclear contra um país que estava à beira da rendição. Enquanto, hoje, os governos europeus se viram forçados a criar políticas de imigração que não prevejam apenas a construção de muros para manter o estrangeiro fora de seus domínios.</p>
<p>A mim, o incômodo maior não foi nem o do teor da imagem, que por mais triste que seja se alia a um grupo imenso de outras imagens produzidas ao longo de nossa história imagética que nos mostram o quão desumanos somos. Meu terror veio do fato de o público se recusar a ver essa imagem. Justo quando o jornalismo – essa instituição à beira da falência, para muitos – cumpre seu papel certinho, contextualizando a imagem, pressionando a opinião pública sobre o fato, parte do público esnoba seu resultado sob a alegação do sensacionalismo ou de um “cansaço do horror”. Quisera eu que o jornalismo só noticiasse beleza, delicadeza, mas enquanto existir o horror, temos a obrigação de mostrá-lo, claro que com a sensibilidade e respeito para com os envolvidos que a boa ética profissional ensina.</p>
<p>O problema, ao meu ver, não é a imagem, somos nós, ora acomodados nos nossos castelos de areia, ora banalizando a dor e sofrimento alheio. Essa repercussão é ótima para fazer com que coloquemos a mão na consciência sobre nossos atos e não falo de governos, falo de cada indivíduo, porque, muitas vezes, no dia a dia, na piada, na brincadeira, nas relações de trabalho reproduzimos violências discursivas e simbólicas que podem um dia levar a violências como esta que tanto nos incomoda quando registrada e devidamente problematizada.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Há um resquício de esperança perceber que essa fotografia nos aterrorizou, pois quando não nos admirarmos mais com a violência ou não nos apiedarmos pelos que sofrem, aí já teremos perdido a humanidade de vez.</div></strong></h3>
<p>Esse mascaramento das imagens que perturbam a ordem não é apenas uma rejeição midiática, mas uma ação que, de certa forma, já se sacralizou no cotidiano com a invisibilidade de sujeitos e situações que nos tiram de nossa zona de conforto. Mendigos, mulheres vítimas de violência doméstica e sexual e portadores de deficiências, para nós, “cidadãos”, no alto de nossas obrigações sociais, são sujeitos invisíveis pelo simples fato de não sabermos lidar com eles, de não caberem no nosso mundo perfeito e ideal, que não passa de uma grande utopia.</p>
<p>Já estamos habituados a dar de ombros para essas imagens, mas o menino sírio parece que descobriu um pouco esse véu da indiferença. Entendo que, no contexto de hoje, bem diferente daquele em que Hiroshima foi publicado, o valor de exibição das imagens reproduzidas tecnicamente – como bem observou Walter Benjamin – esvaziou de sentido e significado muitas fotografias, filmes e programas de TV. A sociedade do espetáculo parece ter nos anestesiado para o consumo de muitas cenas, porém me dá um resquício de esperança perceber que essa fotografia nos aterrorizou, pois quando não nos admirarmos mais com a violência ou não nos apiedarmos pelos que sofrem, aí já teremos perdido a humanidade de vez.</p>
<p>A iconicidade fotográfica ou a simbologia das palavras no texto verbal estão aí, seja no caso do menino sírio ou de Hiroshima, para nos fazer sentir vergonha, impotência, dor, lamento, piedade&#8230; Seja lá o que for, prefiro lidar com o incômodo que estes discursos me causam a viver na cegueira do conformismo. E quanto ao jornalismo, prefiro vê-lo relatando a miséria do mundo do que sendo miserável ao coadunar com a passividade.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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