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	<title>A Pulga &#187; Política</title>
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	<description>Um coletivo diletante de ideias</description>
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		<title>Um ano fadado a não acabar</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2016 04:58:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laécio Ricardo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Stardust]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já deve ter escutado de muitos amigos e provavelmente concorda: 2016 tá pesado! Pense num ano difícil e do qual pouco levaremos! Não tem freios, não há fim – <a class="read-more" href="https://apulga.com/um-ano-fadado-a-nao-acabar/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/12/caverna2016.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1528" alt="caverna2016" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/12/caverna2016.jpg" width="640" height="600" /></a></p>
<p>Você já deve ter escutado de muitos amigos e provavelmente concorda: <i>2016 tá pesado! Pense num ano difícil e do qual pouco levaremos!</i> Não tem freios, não há fim – desde que viramos a folhinha do calendário em janeiro as notícias e os eventos negativos são constantes. E quando a gente acredita que chegou no limite, ansioso pra liberar a respiração retida, vem outra desgraça com intensidade maior. Assim, se você tem algum ritual para desviar 2017 do caminho do antecessor e tornar nossas vidas amenas, é bom caprichar: pague o melhor pai de santo, compre uvas importadas, vista branco com assinatura <i>Dolce &amp; Gabbana</i> e nem ouse abrir uma sidra na última noite de dezembro!</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">O mal sedimentado em 2016 permanece; o que nos aflige por hora, não desaparecerá com os fogos do réveillon. Basta pensar na alardeada PEC 55. </strong><strong>Às vésperas do Natal, ainda somos açoitados com a recente divulgação de uma reforma previdenciária que promete empalidecer o nosso futuro</strong><strong>.</div></strong></h3>
<p>Eu, como não sou adepto de rituais e ando descrente, já joguei a toalha e espiritualmente estou me preparando para um 2017 severo, de igual envergadura ou pior. Antes de julgamentos, antecipo: não sou do tipo pessimista, tampouco embarco no delírio alheio. Mas os ventos agourentos que sopraram em 2016 prometem retornar e derrubar muita palhoça. Ninguém precisa concordar com o diagnóstico – eu tampouco queria! Mas que indícios temos para imaginar que será diferente?! Ao que me consta nenhum. E olha que não apelei para o argumento dos incrédulos: o de que a simples virada do calendário não apaga a conjuntura tumultuada, sinalizando um recomeço do zero. Ou seja, o mal sedimentado em 2016 permanece; o que nos aflige por hora, não desaparecerá com os fogos do réveillon. Basta pensar na alardeada PEC 55, cuja aprovação a toque de caixa se avizinha. Na aurora de janeiro, enquanto estivermos recolhendo as taças quebradas e a sobra da farofa, provavelmente a maldita estará sendo chancelada. E não adianta chorar as pitangas. Lutou pelo impeachment, alçou Temer e sua corja ao poder, agora é aguentar no lombo! Por vinte anos, sem arrego!</p>
<p>Tempos difíceis, rumos imprevisíveis. Recuando um pouco no calendário, cinco ou seis anos, quem diria que chegaríamos ao biênio 2015/2016 de forma tão melancólica, tão pouco auspiciosa, sem grandes expectativas! E que avançaríamos para 2017 sem a mais remota promessa de felicidade! É bem verdade que, neste ano funesto, celebrei quatro décadas. Um triunfo pessoal, uma festa bacana, cercado de bons amigos, tal como desejara. Mas, salvo um ou outro reencontro, não guardo recordações positivas do ciclo 2016. Se ponderar apenas as dores pessoais, diria que este foi o ano que levou meu ídolo dileto (Bowie) e que findou com a morte de outro gênio querido (Leonard Cohen), numa lista de perdas que inclui ainda aquele que talvez fosse meu cineasta vivo preferido (Abbas Kiarostami). Pensando na esfera doméstica, perdemos também nosso filho felino de modo súbito, uma dor que ainda hoje me consome algumas horas à noite. Até nas redes sociais, onde geralmente investimos numa persona mais extrovertida, creio que meu balanço é negativo. Prova disso é o vídeo-recordação que o Facebook nos oferece com um resumo do ano – acabo de ver o meu e fiquei constrangido.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> Assim, encaminho novo conselho: desenvolva formas de resistência, pense em estratégias capazes de te blindar minimamente. Vale tudo: dos engajamentos coletivos às terapias privadas. A solução é manter alguma sanidade.</div></strong></h3>
<p>Mas, extrapolando a esfera privada, quando penso no meu entorno – Recife, Nordeste, Brasil – o diagnóstico é semelhante. Aversão à classe política (com o Executivo e o Legislativo disputando o monopólio da nossa raiva), incredulidade no Judiciário, desconfiança perante a grande imprensa (persiste a dúvida: onde encontrar alguma informação correta, equilibrada?), estagnação econômica e desemprego, exacerbação de um conservadorismo que julgávamos já superado, letargia social ou incapacidade para reagir diante deste quadro&#8230; Enfim, sinais de uma sangria que se aprofunda em vez de estancar. E, pra findar a lista, às vésperas do Natal, somos açoitados com a recente divulgação de uma reforma previdenciária que promete empalidecer o nosso futuro, solicitando de cada um maior tempo e maiores percentuais de contribuição, com a promessa de uma aposentadoria parcial numa velhice remota, arquejada. Para nos poupar, não vou enumerar as mazelas internacionais de 2016 – basta mencionar o nome Donald Trump, que já é uma boa síntese dos horrores que nos cercam.</p>
<p>Diante deste quadro, é fácil entender o anseio da maioria que, desde julho, pelo menos, pede celeridade ao tempo para promover o rápido desfecho do ano. É justo, com tanta negatividade no ar, quem desejaria aguardar todo um semestre e correr novos riscos?! Serei honesto, na contramão dos pedidos de tantos colegas, eu cá converso com Cronos e digo a ele que dezembro se demore um pouco mais, que dilate as horas. Não é masoquismo, nem a sina da vítima que se apega ao algoz. É que, uma vez na casa dos 40, não se deseja que o tempo escoe com rapidez. Afinal de contas, já não tenho a disposição e a doce inconsequência dos anos de graduação, quando a ampulheta poderia escorrer e tudo me era indiferente&#8230;</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Ligo para os mais amados pra reiterar o amor e fortalecer os laços. Voltei a cozinhar com regularidade. Por fim, vou à feira de orgânicos num bairro próximo todo santo sábado. Encho as sacolas, toco nas pessoas e renovo meu credo na humanidade.</div></strong></h3>
<p>Mas te dou um aviso, sem nada cobrar: se julgas que o desfecho de dezembro e a chegada de um novo janeiro vai dissipar 2016 do seu coração e do seu futuro, estás enganado! A exemplo de 1968, embora numa chave inversa (no lugar da esperança, o desespero!), este é um ano fadado a não acabar. Ou seja, viveremos um ciclo de mais alguns decênios e a história estará retornando a 2016 continuamente, numa tentativa de melhor entendê-lo e de avaliar seu legado sombrio. Assim, encaminho novo conselho: desenvolva formas de resistência, pense em estratégias capazes de te blindar minimamente. Vale tudo: dos engajamentos coletivos às terapias privadas. A solução é manter alguma sanidade.</p>
<p>Cá já bolei algo, coisa pouca, mas de relativa eficácia pra mim: com regularidade, ligo para os mais amados pra reiterar o amor e fortalecer os laços; hoje, me permito cada vez mais fazer o que quero e na hora em que desejo; e voltei a cozinhar com regularidade, porque o fogão é uma segunda vocação e a boa comida um ótimo ansiolítico. Por fim, descobri que o  que mais me tranquiliza é ir à feira de orgânicos num bairro próximo todo santo sábado. Ritual constante do qual não me desapego. Chego às 8h30, converso com os feirantes, encho as sacolas, degusto uma fruta, compro um bolo, toco nas pessoas e renovo meu credo na humanidade. É o possível, por enquanto, e bem restrito à esfera do cotidiano. Mas é onde percebo os resultados mais evidentes. De qualquer modo, se tiverem nova receita ou conselho, me repassem sem hesitação. Estamos naquele momento em que precisamos todos, enquanto persistir alguma serenidade, partilhar sugestões, comunicar novidades, indicar brechas, cavoucar saídas&#8230; Do contrário, seremos tragados pela histeria coletiva de outros tantos.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>A (des) ordem do discurso</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Apr 2016 14:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Naiana Rodrigues]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Avulsa]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Peço licença a Foucault, e sem querer usar suas palavras em vão, para parafrasear o título de uma de suas obras e mesmo das ideias contidas nela para entender <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-des-ordem-do-discurso/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1383" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Avulsa-5-discurso.jpg"><img class="size-full wp-image-1383 " alt="Avulsa 5 - discurso" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Avulsa-5-discurso.jpg" width="640" height="399" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração: Marcos Paulo Drumond</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Peço licença a Foucault, e sem querer usar suas palavras em vão, para parafrasear o título de uma de suas obras e mesmo das ideias contidas nela para entender o que presenciamos neste dia 17 de abril de 2016: o dia do “sim” ao Impeacheamant da Presidenta Dilma Roussef.</p>
<p>Foucault, nesta referida obra, sabiamente, afirma que a sociedade não luta pelos objetos dos quais tratam os discursos, ela luta pelo poder de discursar. Essa afirmação não poderia ser melhor exemplificada do que com as cerca de 10 horas de transmissão da votação na Câmara dos Deputados Federais. Foram quase 3.600 minutos de falas inflamadas, contidas, razoáveis, absurdas, mas que dificilmente se preocupavam em versar sobre o objeto do discurso: o crime da presidenta.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Foram cerca de 10h de transmissão da votação na Câmara com quase 3.600 minutos de falas inflamadas, contidas, razoáveis, absurdas, mas que dificilmente se preocupavam em versar sobre o objeto do discurso: o crime da presidenta.</div></strong></h3>
<p>Ora, o que é uma pedalada fiscal – nome também discursivamente criado pela mídia para resumir a questão – frente aos meus filhos, minha mãe, da minha esposa, meus amigos, a Deus, e pasmem, ao povo (essa figura amorfa e acéfala, para muitos dos protagonistas desta noite).</p>
<p>O objeto sobre o qual os discursos deveriam versar foi completamente obliterado pelo que se mostrou mais urgente discutir por quem, muitas vezes, teve, pela primeira vez, o poder do discurso. Sim, pois sabemos que nem todos os 504 deputados ali presentes discursam na Tribuna todos os dias. Muitos dela nunca haviam chegado perto – aposto – e quando a ela se achegaram não resistiram e falaram de si mesmos.</p>
<p>Engana-se quem pensa que esse negócio de falar de si, de exposição, de narrativas autobiográficas é coisa apenas de redes sociais. Em todo e qualquer espaço, quando não somos capazes de enunciar sobre algo exterior a nós, sobre a realidade de modo geral, nos voltamos para nós mesmos, seja para gerar empatia no outro, seja pela completa falta de o que falar para além de nossas próprias experiências. Sim, somos narcisos discursivos. Mas isso é outra história.</p>
<p>Para além do narcisismo expostos pelos 367 deputados que votaram a favor do sim, eles nos revelaram, por meio da enunciação de palavras como “família” e “Deus”, um discurso que se ergue para toda uma geração acostumada ao campo semântico da política de esquerda, o discurso do conservadorismo.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">A pirâmide discursiva do poder, que tem o povo na base, a família no corpo e Deus, no cume, significa reforçar um discurso de conservação da ordem e da tradição que muitos movimentos revolucionários, desde o Iluminismo, combatem.</div></strong></h3>
<p>A família brasileira, a família de bem ali referenciada, trata-se, nada mais, nada menos, da família clássica, heteronormativa, que emerge com a burguesia e sua necessidade de ordenamento financeiro, comercial e longe de ser por uma demanda afetiva, isso é invenção do romantismo.</p>
<p>O Deus ali evocado não é primitivo, apócrifo, ancestral, é o Deus moldado por outro forte discurso, o das Igrejas, sejam elas católicas ou pentecostais. O Deus institucionalizado, cuja representação terrena possui um poder incontestável, e o Deus medieval mesmo, que é intolerante e queima aqueles que contestam sua ordem. Daí porque o deputado Bolsonaro, um filho temente a Deus, exorta em seu discurso um torturador da época da Ditadura Militar no Brasil. Não é de se admirar, afinal, o Deus para o qual ele fala em nome é impiedoso mesmo e não tolera dissidências.</p>
<p>Calma aos que acreditam em uma divindade bondosa, e cheia de amor pra dar. Esse Deus, também inventado recentemente, não coaduna com o poder, pois ele é, inclusive, um deus com ares comunistas, já que ele pensa que é “dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado”. Então, continuem acreditando nesse Deus, que não se corporifica no Congresso, na representação discursiva de homens que lançam mão de seu nome achando que você, cristão, irá fundamentá-lo.</p>
<p>E para fechar a tríade de nomes enunciados na noite do dia 17 de abril, temos o povo. Ah, o povo, por ele, mata-se e morre. O povo que precisa de líderes, de esclarecimento, o povo que é arredio, selvagem, e que não tem condições de escolher o próprio presidente do País, pois precisa que um Congresso altere essa decisão impedindo a presidenta de continuar sua gestão. É esse o povo ao qual os deputados fizeram referência.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">É o discurso de legitimidade de instituições sociais construídas nos primórdios da modernidade e que estão à beira do esfacelamento na contemporaneidade, pois esta, não fica presa aos contornos da Família, de Deus e do Povo.</div></strong></h3>
<p>Encerrada a pirâmide discursiva do poder, que tem o povo na base, a família no corpo e Deus, no cume, vamos ao que ela significa. Ela reforça um discurso de conservação da ordem e da tradição que muitos movimentos revolucionários, desde o Iluminismo, combatem. É o discurso de legitimidade de instituições sociais construídas ainda nos primórdios da modernidade e que estão à beira do esfacelamento na contemporaneidade, pois esta, com sua complexidade, não consegue ficar presa aos contornos da Família, de Deus e do Povo.</p>
<p>E isso graças ao levante discursivo dos desviantes, daqueles que não se encaixam nessa tríade, como as mulheres (pois a família tradicional é patriarcal), os homossexuais, transgêneros, bissexuais e travestis; os negros (a família também é branca, assim como Deus) e os trabalhadores, que agora são tão esclarecidos quanto as elites, pois também ocupam os bancos universitários.</p>
<p>Todo esse cenário é assustador para quem pensa, erroneamente, que a realidade não deve mudar. E, por mais que a mudança tenha sido palavra proferida por muitos dos votantes do sim, ela não significa ruptura, mas mudança pela restauração de uma ordem política, social e cultural em que o poder de discursar, este que também é o poder de existir – já diriam Foucault e Bourdieu, permanece restrito aos homens brancos, de bem, tementes a Deus e porta-vozes legítimos do Povo.</p>
<p>Mas se estes mesmos 342 deputados foram levados a votar pelo medo de perder as instituições que tanto os protegem, imaginem o que o mesmo medo não irá fazer aos cerca de 54 milhões de brasileiros que, em tese, eram a favor do não? Agora é a hora de expandir os discursos de quem teme pelo conservadorismo. Na falta da tribuna, do púlpito, são nas ruas que esses discursos dos numericamente majoritários, mas simbolicamente minoritários, devem ecoar.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Se vimos um discurso em que os iguais se protegem, a reação é exatamente a aliança discursiva em prol das diferenças.</div></strong></h3>
<p>Se vimos no Congresso a corporificação de um discurso em que os iguais se protegem, a reação é exatamente a aliança discursiva em prol das diferenças, afinal, democracia de elite é autoritarismo. Então, a mudança do #nãovaitergolpe para o #vaiterluta é uma expressão de que sim continuamos na disputa pelo poder do discurso, pelo poder de existir.</p>
<p>E esse texto foi a forma que encontrei de vencer o desânimo e o pessimismo. Fui salva pelo discurso!</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>A invencível armada</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2016 12:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Tiago Miranda]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Fitzgerald]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meados do século XIV, a Espanha, juntamente com Portugal e navios italianos, dominou as águas do mediterrâneo. Tamanha era a capacidade da frota que ganhou a alcunha de “A <a class="read-more" href="https://apulga.com/a-invencivel-armada/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Derrota-Espanhola.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1307" alt="“A Derrota da Armada Espanhola”, de Philipp Jakob Loutherbourg, 1796. Museu Nacional Marítimo, Londres, Inglaterra." src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2016/04/Derrota-Espanhola.jpg" width="700" height="545" /></a></p>
<p>Em meados do século XIV, a Espanha, juntamente com Portugal e navios italianos, dominou as águas do mediterrâneo. Tamanha era a capacidade da frota que ganhou a alcunha de “A invencível armada”. Com o pretexto de retirar a Inglaterra da mão dos infiéis anglicanos, Felipe II, católico fervoroso, preparou o ataque final não apenas para derrotar os protestantes, mas também para controlar todas as rotas comerciais da Europa, uma vez que os navios de Elizabeth I eram, juntamente com os Batavos, seus maiores concorrentes. Reza a lenda que Elizabeth, então jovem rainha, comandou um pequeno exército até a costa Sul do reino para fazer frente a qualquer tentativa de invasão por terra, as batalhas se sucederam e, ainda segundo conta o relato, uma tempestade fortíssima caiu sobre o Canal da Mancha, arremessando os grandes navios espanhóis uns contra os outros, dando, assim, início à derrota da histórica armada. Elizabeth volta ao centro do reino ungida como protegida divina e grande estrategista. A história, por sua vez, é menos fantasiosa.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Elizabeth comandou um pequeno exército até a costa Sul do reino para fazer frente a qualquer tentativa de invasão por terra. Batalhas se sucederam e uma tempestade caiu sobre o Canal da Mancha, arremessando os grandes navios espanhóis uns contra os outros.</div></strong></h3>
<p>Os ingleses tinham praticamente o mesmo número de navios, um exército de mais de 15 mil homens (os espanhóis eram quase 30 mil), contudo, tinham barcos mais leves e que conseguiam atacar a distância. Os galeões portugueses, mais pesados pelo maior poder de fogo, precisavam de proximidade para atacar. Além disso, os comandantes da rainha conheciam os mares perfeitamente e sabiam muito bem como navegá-los: começaram com ataques a distância e notaram que os navios espanhóis se aproximaram demais uns dos outros; veio a tempestade e tudo ficou mais fácil, resultando na vitória inglesa e no fim do sonho ibérico de dominação comercial.</p>
<p>A presidenta Dilma Rousseff tornou pública, no dia 15 de março, a indicação de Lula como ministro da Casa Civil. Mas, nem tudo foi calmaria nesses mares. Uma série de ações judiciais impediram até meados de abril que o ex-presidente assumisse o Ministério da Casa Civil. Porém, mesmo sem um cargo no governo, o “efeito Lula”, que vem correndo o país numa caravana contra o impeachment, tem surtido efeito. Em uma pesquisa divulgada domingo (11/04) pelo Datafolha Lula aparece junto com Marina como candidatos preferenciais na disputa presidencial de 2018. Além disso, o número de apoiadores do impeachment de Dilma caiu. Em um mês de reviravoltas, às vésperas de se começar processo de impeachment, esses dados são indicativos de que houve um reforço entre os navegantes ingleses, numa metáfora histórica.</p>
<p>Dilma, tal qual Elizabeth na lenda, espera que seu comandante mais hábil salve o governo dela. Por mais que não se goste do novo ministro, são inegáveis seu capital político e sua capacidade de negociar. Qualquer pessoa que já tenha visto um discurso ao vivo do ex-presidente sabe muito bem do que digo. Lula é a última barreira, a última resistência do governo atual, e aposta todo seu capital político e 85% de aprovação (2010) na defesa do projeto do Partido dos Trabalhadores. Contudo, a barreira está enfraquecida: as acusações de relações íntimas com construtoras, o depoimento e, claro, um clima de instabilidade fomentado por grupos da oposição e do próprio partido ameaçam o caminho. A suposta reforma ministerial trazendo de volta Henrique Meireles, Celso Amorim e Ciro Gomes é a tentativa de Lula em formar a sua invencível armada. Meireles seria o responsável por acalmar o mercado; Amorim, por comandar as rotas comerciais (Lula fala da necessidade de vender o Brasil e questiona o porquê da falta de interesse de Dilma em seu depoimento) ;e Ciro Gomes, o bastião do ideal da “Pátria Educadora”.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Dilma emula a fé elizabetiana em uma repentina mudança de curso ao mesmo tempo em que conta com sua invencível armada para poder chegar ao final de mandato. A oposição fará o papel de tempestade e forçará a todo custo o naufrágio da armada. O resultado só o tempo dirá.</div></strong></h3>
<p>Em um discurso confuso, Dilma emula a fé elizabetiana em uma repentina mudança de curso ao mesmo tempo em que conta com sua invencível armada para poder chegar ao final de mandato. A oposição fará o papel de tempestade e forçará a todo custo o naufrágio da armada. Oficialmente não se sabe se Lula conseguirá conduzir o governo como ministro – papel que outrora coube a Dirceu e Palloci –, mas correndo por fora ela já mostra que tem artilharia pesada. O resultado final só o tempo dirá. A história, bem como a política, é contada pelos vencedores – se preciso for, através de lendas, mas sem nunca perder o componente real. Aguardemos os próximos dias com os olhares voltados para o impeachment: ou a tormenta fulmina a Armada ou teremos o início de um novo período ainda mais turbulento. Quinhentos anos depois e um oceano ao sul, os mares de interesses políticos e comerciais seguem agitados. Dilma, como Elizabeth, tomou decisões frente ao caos. Cabe agora ver se a Presidenta terá a mesma sorte e a mesma frota.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Dos ventos hostis aos lampejos de esperança</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2015 16:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laécio Ricardo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Stardust]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Os que me conhecem, sabem: não sou do tipo pessimista, cabisbaixo, tampouco daqueles que praguejam contra tudo e todos. Não gosto de remoer os fardos diários e, normalmente, reelaboro os <a class="read-more" href="https://apulga.com/dos-ventos-hostis-aos-lampejos-de-esperanca/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/casabranca2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1006" alt="casabranca2" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2015/07/casabranca2.jpg" width="650" height="650" /></a></p>
<p>Os que me conhecem, sabem: não sou do tipo pessimista, cabisbaixo, tampouco daqueles que praguejam contra tudo e todos. Não gosto de remoer os fardos diários e, normalmente, reelaboro os problemas do dia-a-dia com uma noite de sono. Na pior das hipóteses, consigo digerir as dores mundanas na mesa de bar (não, não sou alcóolatra, acredite-me!). Mas confesso que o meu estilo &#8220;easygoing&#8221; (&#8220;tudo passa, tudo passará&#8221;) tem esbarrado no turbilhão dos eventos e dissabores que 2015 nos tem apresentado. A ponto de eu quase me encontrar parafraseando a célebre frase proferida pela atriz Regina Duarte durante a campanha presidencial de 2002: &#8220;sim, eu tenho medo&#8221;. Dói confessar, mas é necessário.</p>
<p>É fato que ventos estranhos e agourentos sopram do exterior (crescimento dos partidos ultraconservadores na Europa, expansão do Estado Islâmico, notícias contínuas de práticas xenofóbicas contra imigrantes, acirramento da polarização EUA e Rússia, iminência de nova crise econômica&#8230;). Mas as rajadas mais cortantes e temerárias, devo admitir, procedem de Brasília e se irradiam para outras praças brasileiras. É tanta coisa estranha e &#8220;fora da ordem&#8221; que fica difícil enumerar, hierarquizar e ensaiar uma análise lúcida, urgente. Como não sou especialista em conjuntura política, trato apenas de reiterar o meu mal-estar, a minha aflição. Quem sabe na tentativa de encontrar vozes e anseios igualmente abalados, e assim restabelecer uma cadeia solidária e recobrar alguma esperança&#8230;</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Pergunto: que tempos são estes em que decisões tortas e confrarias abjetas florescem à luz do dia, sem qualquer receio? Em que tanta informação vital é encoberta ou distorcida sem o menor pudor?</div></strong></h3>
<p>Aliás, é precisamente do campo político que se origina parte significativa deste desconforto. Mais especificadamente do Congresso Nacional, cuja composição atual ostenta um perfil conservador como há décadas não se via desde o restabelecimento da nossa democracia. Pergunto: que tempos são estes em que decisões tortas e confrarias abjetas florescem à luz do dia, sem qualquer receio? Em que tanta informação vital é encoberta ou distorcida sem o menor pudor? Onde tantos legisladores erguem sua voz para pregar valores e palavras de ordem que, há 10 anos, seriam pouco admissíveis ou causariam constrangimentos? É fato que, neste País como em muitos outros, política e interesses privados nunca foram instâncias dissociadas. Mas o que antes permanecia nos bastidores, para não atrair a censura dos mais esclarecidos, hoje triunfa sob os holofotes da grande mídia e com a cumplicidade de parcelas da dita &#8220;boa sociedade&#8221;.</p>
<p>Para não perder ovelhas do seu vasto rebanho de eleitores/financiadores, políticos vinculados a grupos econômicos e a facções religiosas ortodoxas, hoje e mais do que nunca, se recusam a legislar de forma idônea, sem se submeter a interesses escusos e de modo a promover os avanços necessários à solidificação da nossa frágil democracia. Ao contrário, são os princípios democráticos, as conquistas trabalhistas e os direitos das minorias que sofrem ameças diárias, abalos sucessivos, riscos de apagamento. E nada disso parece repercutir com ênfase nas rodas sociais &#8211; percebo que um amigo ou outro, de forma isolada, manifesta indignação. Mas parcelas numerosas da sociedade, quando vão às ruas ou organizam fóruns virtuais, parecem ignorar este quadro, preferindo direcionar sua munição unicamente contra o Executivo.</p>
<p>Reconheço que alguns dos nossos problemas atuais derivam de certa inoperância da presidente, figuram pouco hábil para o jogo político, e das alianças instáveis costuradas pelo PT para alcançar a tal &#8220;governabilidade&#8221; (alianças que, por sua vez, implicaram em concessões arriscadas e no gradual abandono de certas bandeiras históricas do partido). E sei que os recentes e sucessivos casos de corrupção na vida pública tem inquietado nossa boa sociedade. O resultado desta overdose de informações negativas, habilmente inoculadas pela grande mídia, são os sucessivos panelaços e atos de hostilidades contra Dilma Rousseff. Mas o que me indigna nestes protestos, além do discurso ressentido por parte daqueles que desejavam ter Aécio Neves na presidência e dos slogans que conclamam a volta do &#8220;regime militar&#8221; (oi??!!), é a cegueira do eleitor ante as barbaridades que transcorrem no Congresso Nacional.</p>
<p>Ao contrário, decisões arbitrárias conduzidas por Eduardo Cunha e massivamente abraçada pelos parlamentares com frequência encontram entusiastas nestes protestos ou na &#8220;sessão de comentários&#8221; dos jornais online. Uma espécie de ódio canalizado ao PT parece nos impedir de perceber as irregularidades do Legislativo (e também do Judiciário, se quisermos completar a trinca). E o ódio, insisto, é um sentimento destrutivo &#8211; sabemos onde a intolerância e os radicalismos podem nos conduzir, a história já nos demonstrou inúmeras vezes! Tanta cegueira e passionalidade me levam a conjugar um mantra diário: &#8220;não leia o comentário dos internautas&#8221;, &#8220;não leia o comentário dos internautas&#8221;. E também não hesito em bloquear as &#8220;almas sebosas&#8221; do ciberespaço. Do contrário, tenho medo de infartar ou de jamais recobrar minha eventual esperança.</p>
<p>Ressalto que não escrevo para elogiar o PT, mas para atestar minha indignação. Que tempos são estes em que o Estado Laico é permanentemente ameaçado por congressistas radicais, em que a redução da maioridade penal é debatida como se fosse &#8220;pauta de programa de auditório&#8221; (e com o depoimento/intervenção de figuras midiáticas questionáveis), em que a precarização das relações de trabalho é vista como saída única para as crises econômicas, em que uma reforma política séria se converte em pilhéria infeliz? Que triste constatação: hoje somos obrigados a admitir que Marcos Feliciano, deputado evangélico do PSC e ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, antes nosso grande desafeto, era apenas o prenúncio de problema bem maiores.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Em outros termos, enquanto parlamentares do nosso Congresso ainda insistem em discutir pautas arcaicas como a &#8220;cura gay&#8221;, a decisão da Corte americana alavanca o debate das minorias para a esfera do nivelamento dos direitos civis. Felizmente!</div></strong></h3>
<p>Enfim, após as eleições de 2014, tudo se agravou, tudo descarrilhou. A bancada ruralista não cessa de defender o agronegócio às custas de qualquer sacrifício ecológico; financiador de muitas campanhas eleitorais, o setor da construção civil dita as regras do desenvolvimento urbano sem encontrar resistências; os parlamentares evangélicos, por sua vez, parecem muito mais atentos à rigidez do Velho Testamento do que às diretrizes da Constituição ou, pelo menos, à compaixão dos Evangelhos. Um conservadorismo persistente se insinua em suas decisões e pronunciamentos, e parece encontrar eco na &#8220;boa sociedade&#8221;. Tempos sombrios, anos de provação, eu diria. O que virá pela frente? Por enquanto, só posso temer. A serpente, outrora reclusa no ovo, sinaliza o claro desejo de romper a casca&#8230;</p>
<p>Negatividade à parte, quero finalizar o texto com algo que me comoveu positivamente nos últimos dias. Refiro-me à recente decisão da corte suprema dos EUA de reconhecer a legitimidade do casamento igualitário em todo o território americano. Os EUA estão longe de ser o primeiro país a acolher tal decisão; na verdade, tendo em vista os avanços significativos conquistados pela comunidade LGBTT em algumas nações européias e latinas, cabe ressaltar que a pátria de Obama chega ao desfecho deste debate com um atraso lamentável. Mas, tendo em vista a centralidade dos EUA no tabuleiro global, é inevitável a repercussão desta medida em &#8220;outras praças&#8221;, bem como a intensificação de sua cobertura pela grande mídia. Em outros termos, enquanto parlamentares do nosso Congresso ainda insistem em discutir pautas arcaicas como a &#8220;cura gay&#8221; (pauta claramente reveladora de sintomas homofóbicos), a decisão da Corte americana alavanca o debate das minorias para a esfera do nivelamento dos direitos civis. Felizmente!</p>
<p>Todavia, para além das trocentas matérias veiculadas pelo noticiário internacional, o resultado mais comovente deste episódio, pelo menos para mim, se fez evidente nas redes sociais. Em questão de horas, dezenas de hashtags proliferaram (na esteira do trinfante #LoveWins) e milhões de internautas tingiram seus avatares com as cores do arco-íris. Uma celebração festiva e voluntária, e que, de algum modo, também alterou a coloração do meu humor. Pelo menos por alguns dias, já que, por enquanto, ao que tudo indica, viveremos de brechas, de respiros, de eventuais lampejos de esperança&#8230;</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rede das paixões</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2014 02:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Naiana Rodrigues]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Avulsa]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Às vésperas do segundo turno das eleições para os executivos estaduais e federal, a disputa política está agendada como assunto dominante nos jornais, na internet e nas mesas de bar. <a class="read-more" href="https://apulga.com/rede-das-paixoes/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/10/Avulsa-2-Facebook3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-720" alt="Avulsa 2- Facebook3" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/10/Avulsa-2-Facebook3.jpg" width="650" height="396" /></a></p>
<p>Às vésperas do segundo turno das eleições para os executivos estaduais e federal, a disputa política está agendada como assunto dominante nos jornais, na internet e nas mesas de bar. Foi neste último espaço em que pude lançar, quase como uma bomba &#8211; mas sem estilhaços &#8211; minha leitura desse momento, que não diz propriamente respeito aos candidatos, e sim aos eleitores, mais precisamente aos usuários dos sites e aplicativos de redes sociais que estão fazendo deste pleito uma experiência comunicacional única.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Estamos vivendo a adolescência da comunicação na sociedade em rede. É um momento de descobertas, de entusiasmo, de dúvidas e, acima de tudo, de emoções à flor da pele.</div></strong></h3>
<p>Esses eleitores/usuários estão nada mais, nada menos, que verdadeiramente apaixonados. Mas o objeto de desejo deles não é o candidato, o partido ou a política em si, mas a comunicação, a capacidade de enunciar, de falar, de dizer e ser visto e ouvido por centenas e até milhares de outros sujeitos. Durante quase seis séculos, o homem comum, ordinário esteve mudo, forçosamente calado pela falta de acesso aos meios de comunicação. Somente a mídia institucional &#8211; se restringirmos nosso olhar para a modernidade &#8211; tinha condições e, consequentemente, autorização, para enunciar, discursar, para dizer algo.</p>
<p>Foi somente na virada do século 2000 que os homens, de posse, claro, de aparatos de comunicação como computadores e, posteriormente, de outros dispositivos, puderam exercer com afinco e plenitude sua capacidade discursiva latente. Afinal, como bem já observou Aristoteles, o homem é um animal retórico. Mas entre a sistematização da imprensa e a emergência da internet, nossa retórica esteve acuada, amedrontada pela dominação da mídia de massa. Usando as palavras de Foucault, vivemos um longo período de interdição discursiva e só agora gozamos da autorização para expressar o pensamento em espaços de grandes fluxos de audiências.</p>
<p>Daí porque consigo compreender as razões pelas quais a passionalidade domina o debate em torno do temas agendados em sites de relacionamentos a exemplo do Facebook. Estamos vivendo a adolescência da comunicação na sociedade em rede. É um momento de descobertas, de entusiasmo, de dúvidas e, acima de tudo, de emoções à flor da pele. Como jovens apaixonados, temos urgência em viver essa experiência e, para tal, disparamos opiniões e pontos de vista, muitas vezes, incoerentes, extremistas e pouco fundamentados. Não estamos dando o tempo necessário que a racionalidade requer para maturar um argumento ou opinião, queremos apenas nos expressar.</p>
<p>Diante disso, a postagem, em tempos de debate eleitoral, tem o valor de um beijo ardente, daqueles que tiram o fôlego e deixam um sabor quase indescritível na boca. Assim são as defesas dos candidatos, o compartilhamento de informações factuais e documentais que reforçam o gosto de certeza e verdade que tem o beijo discursivo. Estimulados pelo tesão que o discurso desperta, acabamos perdendo de vista, muitas vezes, o respeito pelo outro. Se a química de ideias não acontece, se não angariamos comentários e compartilhamentos, é porque não fomos feitos um para o outro e o rompimento se aproxima.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left">Quando o outro falha e não satisfaz o desejo de concordância que procuramos nas curtidas, a raiva é quase inevitável. A comunhão buscada transforma-se em rancor.</div></strong></h3>
<p>Quando o outro falha e não satisfaz o desejo de concordância que procuramos nas curtidas, a raiva é quase inevitável. E a comunhão buscada no encontro entre as palavras de mesmo sentido transforma-se em rancor. A negação do outro em satisfazer nosso desejo coloca uma lupa sobre as falhas e defeitos que a alteridade carrega. E, assim, é que o debate se encaminha para a desqualificação e ofensa pessoal, com trocas de acusações e apontamentos de erros e mentiras até que se chegue a ponto do rompimento. E sobre laços enfraquecidos e amizades desfeitas também teremos muito o que rememorar no revival desse período eleitoral. Afinal, a paixão é assim mesmo, avassaladora, e também frustrante.</p>
<p>Mas o que me consola é que tudo não passa de uma fase. Assim como as paixões juvenis, nossa relação com a comunicação há de amadurecer. Se, como bem observa  Dominique Wolton, que o verdadeiro significado da comunicação é a relação, aguardo, portanto, ansiosa pelo momento em que tenhamos mais amor pela comunicação, pois só aí saberemos como tratar bem os argumentos a serem ditos, como ouvir ou ler a opinião do outro sem desacreditá-lo logo em seguida. Poderemos, enfim, fortalecer nossos laços e nos enredar de vez em nós de respeito, usando os sites e Apps de redes sociais para o encontro com o outro e não para um coito discursivo momentâneo e fugaz.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil encaretou?</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Oct 2014 14:27:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Grazielle Albuquerque]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Hoje é o grande dia. Está na hora de decidir o 1o turno das eleições presidenciais de 2014. Dentre as reviravoltas dessa campanha, o que realmente me causou estranhamento <a class="read-more" href="https://apulga.com/e-o-brasil-encaretou/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_669" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/10/VALETUDOframe.jpg"><img class="size-full wp-image-669" alt="Marco Aurélio em Vale Tudo, novela de Gilberto Braga de 1988." src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/10/VALETUDOframe.jpg" width="620" height="465" /></a><p class="wp-caption-text">Marco Aurélio em Vale Tudo, novela de Gilberto Braga de 1988.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje é o grande dia. Está na hora de decidir o 1<sup>o</sup> turno das eleições presidenciais de 2014. Dentre as reviravoltas dessa campanha, o que realmente me causou estranhamento foi a temática conservadora das discussões: criminalização do aborto, redução da maioridade penal, homofobia&#8230; Talvez a representação mais caricata e ignóbil desse “fenômeno” tenha acontecido no debate da rede Record do domingo, dia 28 de setembro, em que o candidato Levy Fidelix fez uma comparação escatológica entre o aparelho excretor e reprodutor para falar dos gays. As declarações causaram rumor, contudo o espantoso é que elas não são um ponto fora da curva.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> O resultado desse embate mais direto é um maior posicionamento também por parte do eleitorado. A cobrança é mais explícita dos dois lados. A tendência é que não se deixe mais o assunto ficar debaixo do tapete.</div></strong></h3>
<p>Há na pauta do amplo debate político um movimento duplo: um que tenta barrar a ampliação da cidadania e outro que vai além e propõe o retrocesso. Por baixo das tensões relativas ao casamento homoafetivo, a descriminalização do aborto, as pesquisas com células tronco e outros temas que compõem as conquistas dos direitos civis de primeira e quarta gerações, existe ainda os que querem retroceder. A redução da maioridade penal talvez ilustre bem os ataques ao que já existe. Ou seja, a questão aqui não se resume ao incomodo de mudar o estabelecido, de ir adiante, é mesmo o desejo de voltar, de cercear direitos. Embora sejam paralelos, na prática esses movimentos se confundem e por vezes se somam. É atemorizante ver esse quadro desenhado em uma democracia ocidental do século XXI, distante que julgamos estar dos regimes que tutelam a vida privada.</p>
<p>Muitos dos temas que estão em pauta hoje, sobretudo a discussão sobre o aborto e o casamento homoafetivo, surgiram com mais força nas eleições de 2010. Se naquele período alguns candidatos ficaram em cima do muro evitando se comprometer, hoje a tomada de decisão é mais incisiva e polarizada. O movimento de Marina Silva à direita e a voz em coro dos candidatos fundamentalistas que compõem à bancada religiosa, em contraponto a campanha afirmativa do Psol, levaram a uma reação à esquerda por parte do PT. O resultado desse embate mais direto é um maior posicionamento também por parte do eleitorado. A cobrança é mais explícita dos dois lados. A tendência é que não se deixe mais o assunto ficar debaixo do tapete.</p>
<p>Poderíamos fazer uma avaliação estritamente eleitoral da questão. Mas, ampliando o quadro, vendo as eleições mais como uma amostra do que como um fenômeno a parte, é de chamar atenção a manifestação de vozes tão conservadoras. Vale ressaltar que elas só estão presentes no discurso político porque há um estrato social da qual se originam. E isso é relevante não só por seu conteúdo, mas também pela novidade na forma atual em que essas vozes se expressam. De um lado há uma institucionalização desses grupos de interesse através do jogo político, de outro eles aparecem nas ruas se mostrando em marchas, passeatas e outros instrumentos típicos dos movimentos socais. Existe aí todo um universo para ser estudado, mas sem dúvida muito do que ecoa na arena pública está nas manifestações de rua e na rede. Em caso de dúvida, é só olhar o teor dos comentários em qualquer portal de notícias para se confirmar a existência desse conservadorismo extremo.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> No Brasil de 2014 subverte-se a ordem: os candidatos mais pró-mercado, que bradam a liberdade econômica, são verdadeiros cães de guarda da moral e dos bons costumes da vida alheia.</div></strong></h3>
<p>Fato é que há tempos não temos de maneira incisiva um bloco tão moralista bradando palavras de ordem. Ainda que por razões mais instrumentais ou mesmo por cinismo, o desejo de “aparecer bem na foto” dava um tom mais polido à fala dos reacionários de plantão. Da década de 1980 para cá, o discurso oficial era mais afirmativo de direitos do que o contrário. Nesse sentido, lembro uma frase do Nirlando Beirão sobre a visão libertária e provocativa que se tinha da política nos anos de abertura. A Constituição de 1988, mesmo não sendo propriamente uma Carta de ruptura, é prova inconteste de que estávamos numa curva ascendente de afirmação da cidadania. Hoje, o que vemos é o contrário.</p>
<p>É claro que a bancada evangélica tem peso nesse quadro, mas olhar só para essa variável é reducionista. Há mais para se prestar atenção. Se já não fosse suficientemente sério ter ditames religiosos interferindo com tanta força nos direitos civis, existem entraves de outra ordem. Não vamos esquecer, por exemplo, que o Brasil foi o último país da América Latina a criar a Comissão da Verdade e que sustenta juridicamente a legitimidade da Lei da Anistia. Estes são exemplos de desafios diferentes, mas que talvez tenham a mesma essência no que diz respeito a dar contornos mais definidos ao exercício da cidadania e ao que se espera das instituições democráticas. Posições sobre os rumos de economia podem variar de acordo com determinadas cartilhas políticas, a garantia de direitos não. O curioso é que este é, essencialmente, um elemento da doutrina liberal clássica. No Brasil de 2014 subverte-se a ordem: os candidatos mais pró-mercado, que bradam a liberdade econômica, são verdadeiros cães de guarda da moral e dos bons costumes da vida alheia. É com se quissesem liberar o Estado e estatizar constumes, numa inversao perversa e perigosa.</p>
<h3><strong><div class="su-pullquote su-pullquote-align-left"> Dizer que o Brasil “encaretou” é uma armadilha fácil. É nesse ponto que me parece viável acreditar que se existe um bloco gritando palavras de ordem moralistas, há outro que também se organiza a reivindicar direitos. Essa tensão é necessária para se avançar.</div></strong></h3>
<p>Dizer simplesmente que o Brasil “encaretou” é uma armadilha fácil. Embora essa frase tenha ressonância, é preciso lembrar que não temos um Brasil, mas vários. É nesse ponto que me parece viável acreditar que se existe um bloco gritando palavras de ordem moralistas, há outro que também se organiza a reivindicar direitos. E, incomoda que seja, essa tensão é necessária para se avançar. Em meio ao embate, fico com várias imagens de “Vale Tudo”, novela do final dos anos 1980, na cabeça. Em sua primeira e última cena, Gilberto Braga colocou um michê no roteiro. Se Odete Roitman era a própria representação da elite reacionária, em outra ponta o enredo trazia o primeiro casal lésbico da telenovela e terminou com o antagonista Marco Aurélio fugindo num jatinho e dando uma banana para ao país. Estava tudo lá, em cores fortes, sem causar muito assombro. Há 26 anos era possível ver isso no horário nobre, na maior emissora do país. Hoje, apesar dos avanços e do famoso beijo gay, ainda existem tantos que mal dão conta de tramas cheias de pessoas de “boa família”.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pelo urgente reencantamento com a política</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2014 14:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Laécio Ricardo]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Stardust]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em pouco mais de um mês, teremos eleições majoritárias. Contexto propício para repensarmos nossos votos e contribuirmos para uma melhoria sistemática do quadro político – do Palácio do Planalto ao <a class="read-more" href="https://apulga.com/pelo-urgente-reencantamento-com-a-politica/">[Ler o post]</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/08/Congresso2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-598" alt="Congresso2" src="http://apulga.com/wp-content/uploads/2014/08/Congresso2.jpg" width="650" height="443" /></a></p>
<p>Em pouco mais de um mês, teremos eleições majoritárias. Contexto propício para repensarmos nossos votos e contribuirmos para uma melhoria sistemática do quadro político – do Palácio do Planalto ao Congresso, das assembléias legislativas aos governos estaduais, é hora de destituir ou reconduzir ao poder líderes e parlamentares que atestaram sua competência e integridade, ou sua inaptidão para a vida pública. Todavia, apesar da relevância do pleito, percebo que, não obstante a passionalidade de alguns militantes nas redes sociais, boa parte da população parece exaurida do debate político. De modo mais enfático, noto um claro desencantamento ou indiferença entre os jovens (eleitores na casa dos 16 a 25 anos).</p>
<p>Em certa medida, a pouca motivação é compreensível; afinal, o jogo político no País e seus protagonistas não têm inspirado entusiasmo – nesta seara, há uma clara expansão dos setores conservadores (evangélicos e ruralistas, dentre outros) e o toma-lá-dá-cá entre os partidos nunca pareceu tão frenético e suspeito, com recorrentes denúncias de improbidade e falta de ética. Resultado: são raros os nomes que suscitam confiança e escassas as legendas que não ostentam vexatórias denúncias/condenações. Mas, apesar deste retrospecto, me entristece perceber certa apatia nas ruas e universidades: sou de um tempo em que o agir político se aliava à reflexão crítica e os debates transcorriam em salas de aula, cantinas e corredores, conectando alunos e professores na defesa de candidaturas inspiradas e de projetos de relevância social. Estampar adesivos no peito e broches nas mochilas era motivo de orgulho, bandeira inconteste. De uns tempos pra cá, parece que, em cada residência, triunfa um individualismo progressivo, seguido de uma descrença generalizada. E, não bastasse o quadro de letargia, com frequência acompanho uma enfática defesa da anulação ou invalidação do voto.</p>
<p>Se o motivo for um claro protesto, me resigno. Não votar ou abdicar do voto por motivos críticos (portanto políticos!) é uma forma de atestar plena insatisfação e de publicizar o incômodo. Se tal gesto é eficiente ou não, é uma questão para a qual me falta competência acadêmica para responder. Mas o que dizer quando a decisão resulta de mera indiferença, de um abandono da responsabilidade que cada eleitor tem de acompanhar o quadro político do seu país e de encaminhar exigências a seus representantes?! Tal posição quase sempre se vincula a um sentimento crescente de pessimismo, do tipo que reverbera uma leitura nada generosa da cultura brasileira: este País não tem jeito e estamos condenados em virtude de uma suposta inviabilidade que nos seria atávica, insistem. Em outros termos, não adiantaria persistir porque aqui o justo se degenera e a generosidade sempre se converte em moeda de barganha.</p>
<p>Desnecessário dizer que tantos clichês, além de carecer de fundamentação séria, em nada contribuem para promover as mudanças que julgamos necessárias. No limite, o gesto fácil de se ausentar da luta apenas implica em entregar aos adversários que tanto criticamos o direito de continuar a decidir nossos destinos. O que, por efeito dominó, só ampliaria a nossa insatisfação. Mas, afinal, terá o jogo político perdido o encanto e implodido a convicção dos eleitores? Prefiro acreditar que ainda há brechas para alguma utopia ou resistência. Não gosto de atitudes iconoclastas, não cedo fácil ao niilismo, tampouco integro o time dos cabisbaixos.</p>
<p>Neste debate, ouço com frequência colocações que nivelam partidos e políticos em patamares semelhantes e nada honrados. E reconheço que o mal-estar tem fundamentação. Mas também aqui é preciso manter uma obstinada lucidez: entre uma legenda e outra, não obstante a convergência de equívocos, há diferenças. Algumas até enfáticas. Para os desavisados, é importante lembrar que estatísticas sobre corrupção, condenações e candidaturas inelegíveis estão facilmente disponíveis para consulta na Internet, o que pode dissipar nossas incertezas. Assim, apesar da oferta suspeita no varejo eleitoral, sempre é possível identificar alguém cuja trajetória política é menos maculada e cujos projetos encaminhados são, de fato, prioritários ao País, em vez de pensados para atender interesses escusos.</p>
<p>Manter avivada alguma centelha otimista não implica abdicar de uma posição crítica ou contundente; tampouco é sinônimo de uma confiança num futuro inexoravelmente promissor. Ele até pode ser promissor (e o desejamos!), mas para que o seja, o presente solicita o nosso engajamento e vigilância contínua. Assim, desejo para os eleitores mais jovens o imediato revigoramento do debate político, livre da parcialidade da grande imprensa e dos ressentimentos de classe ou de geração. Desejo a renovação da lucidez, para que o exercício do voto não se converta num gesto de indiferença. E, sobretudo, desejo que suas decisões não sejam motivadas por episódios de clamor suspeito, como a recente comoção pública provocada pela morte trágica de Eduardo Campos (PSB) em acidente aéreo. Não obstante o mal-estar que a morte suscita em cada um de nós, a figura ambígua do político Campos (um gestor de virtudes e defeitos enfáticos), através de ostensiva cobertura midiática, foi elevada à condição de mito num esforço para converter o luto em capital político para sua substituta na disputa presidencial. Uma estratégia, no mínimo, controversa. Em tempos de apatia política, ressalto, carecemos de um amplo debate e, não, de messianismos ou de paixões cegas.</p>
<p></p>]]></content:encoded>
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